Estudo descritivo com dados abertos

Quando o AI Mode monta tabela na resposta

56 de 106 páginas medidas tiveram ao menos uma tabela na resposta do Google AI Mode para a busca principal. Nas páginas de serviço e de segmento a fatia foi de 60,0%, e nas de conteúdo, de 34,5%.

O estudo de Lucas Ferraz codificou o formato das respostas do Google AI Mode para 106 páginas de um site de agência brasileira, medidas em setembro e outubro de 2026. O AI Mode montou tabela em 56 delas, com mais frequência em busca comercial do que em informacional e em 19 das 24 respostas com valor em reais.

  • No estudo de Lucas Ferraz, o Google AI Mode montou ao menos uma tabela em 56 de 106 páginas medidas (52,8%), entre setembro e outubro de 2026.
  • Páginas de serviço e de segmento tiveram tabela em 45 de 75 casos (60,0%); artigos, glossário e ferramentas, em 10 de 29 (34,5%).
  • Quando a resposta do AI Mode trazia valor em reais, a tabela apareceu em 19 de 24 casos (79,2%); sem valor em reais, em 37 de 82 (45,1%).
  • O AI Overview das mesmas buscas trouxe tabela em 2 de 30 casos em que o formato dele foi descrito.

Método

Desenho
Estudo descritivo, sem grupo de comparação. Cada página é uma linha, com o formato da resposta do AI Mode para a busca principal da página codificado em variáveis fechadas.
Amostra
108 páginas de um único site de agência brasileira de SEO, das quais 106 tiveram o formato descrito o bastante para codificar a variável principal. Foram lidos 197 registros de medição de páginas do site; 87 saíram por não descrever o formato da resposta e 2 por serem a mesma página de outro registro.
Janela
Última medição de cada página entre 2 de setembro e 3 de outubro de 2026, em português do Brasil.
Origem dos dados
Campo de formato da resposta do AI Mode e do AI Overview gravado em cada registro de medição, lido por script que não altera a base.
Codificação
Protocolo 1.0, codificação manual por um único codificador (o autor). Tabela conta como sim quando ao menos uma das consultas medidas para a página teve tabela. Descrição vaga ficou como nd, nunca como não.
Intenção
Rótulo registrado para a palavra-chave principal da página em 66 casos; nos outros 42, regra de reserva pelo tipo de página. A coluna fonte_intencao separa as duas origens.
Anonimização
O dataset não traz URL, palavra-chave, nome do site nem resultado de visibilidade do site. Cada página tem só um identificador sequencial.

Resultados

  • Tabela no AI Mode por tipo de página, em páginas codificadas. Hub de segmento, 12 de 19. Serviço por nicho, 22 de 39. Serviço por cidade, 7 de 13. Serviço geral, 4 de 4. Artigo, 7 de 19. Ferramenta, 2 de 7. Glossário, 1 de 3. Institucional, 1 de 2.
  • Tabela no AI Mode por intenção. Comercial, 42 de 72 (58,3%). Informacional, 9 de 24 (37,5%). Transacional, 4 de 9. Mista, 1 de 1. Só com o rótulo da base de palavras-chave, comercial ficou em 27 de 44 (61,4%) e informacional em 5 de 13 (38,5%).
  • Assunto da primeira tabela, nas 56 respostas com tabela. Comparativo entre opções, 17. Faixas de preço, 13. Canal por objetivo, 7. Empresas fornecedoras, 6. Etapas ou pilares, 5. Permitido e proibido por norma de conselho, 4. Benefícios, 3. Requisitos do projeto, 1.
  • Respostas com pergunta de volta ao usuário tiveram tabela em 33 de 54 casos (61,1%); sem pergunta de volta, em 23 de 52 (44,2%).
  • Bloco sobre norma de conselho profissional não mudou a frequência de tabela, com 13 de 23 (56,5%) contra 43 de 83 (51,8%).

O que este recorte mede?

O estudo sobre tabelas no Google AI Mode responde a uma pergunta de formato, não de visibilidade. Em cada medição que registrei, anotei como a resposta do AI Mode estava montada para a busca principal da página: parágrafo, lista, passos, tabela, faixa de preço, empresas nomeadas, pergunta de volta. Juntei essas anotações e as codifiquei em variáveis fechadas para ver em que tipo de página e em que intenção a tabela aparece.

O interesse é prático. Quem escreve para servir de fonte a uma resposta generativa ganha ao saber que estrutura a resposta costuma ter naquela busca. Escolhi a tabela como variável principal porque é o bloco mais fácil de identificar com segurança em uma anotação de medição.

Onde a tabela apareceu mais?

Nas páginas de serviço e de segmento, o AI Mode montou tabela em 45 de 75 casos (60,0%). Nas páginas de conteúdo, que somam artigos, glossário e ferramentas, foram 10 de 29 (34,5%). A diferença se repete quando a página é separada pela intenção da busca: 42 de 72 na comercial (58,3%) contra 9 de 24 na informacional (37,5%). Usando só a intenção registrada na base de palavras-chave, sem a regra de reserva pelo tipo de página, a distância continua parecida, com 27 de 44 contra 5 de 13.

Entre os tipos com mais de dez páginas, o hub de segmento, página que agrega serviços para um setor, teve a fatia mais alta, com 12 de 19. Em 9 desses 12 casos, a tabela cruzava canal e objetivo ou listava o que uma norma de conselho permite e proíbe.

O que vem junto da tabela na mesma resposta?

A tabela andou com valor em reais. Das 24 respostas do AI Mode que trouxeram faixa de preço ou custo, 19 tinham tabela (79,2%). Das 82 sem valor em reais, 37 tinham (45,1%). Faixa de preço por tipo de projeto ou por porte foi o segundo assunto de tabela mais comum, com 13 casos, atrás da comparação entre opções lado a lado, com 17.

A pergunta de volta ao usuário, quando o AI Mode termina pedindo cidade, ramo ou orçamento, também apareceu mais nas respostas com tabela, em 33 de 54 contra 23 de 52. Já o bloco sobre norma de conselho profissional não mudou a frequência, com 56,5% de tabela com ele e 51,8% sem ele.

Nas 106 páginas que medi entre setembro e outubro de 2026, o Google AI Mode montou tabela em 19 das 24 respostas que traziam valor em reais, contra 37 das 82 que não traziam.

Lucas Ferraz, especialista em SEO

Leio esses cruzamentos como padrão de resposta de busca de decisão: quem pergunta quanto custa ou qual escolher recebe opções lado a lado. O desenho do estudo não permite dizer que o preço causa a tabela.

O AI Overview quase não montou tabela

Nas mesmas buscas, o AI Overview trouxe tabela em 2 de 30 casos em que o formato dele foi descrito, e em outros 7 ele não apareceu na SERP. Das 56 respostas do AI Mode com tabela, só uma teve tabela também no AI Overview. A anotação do AI Overview foi menos sistemática do que a do AI Mode e cobre 37 das 108 páginas, então o número serve de indício e não de comparação fechada entre as duas superfícies.

Como repetir a codificação com outros registros?

O protocolo 1.0 depende de uma anotação simples feita no momento da medição: a sequência de blocos da resposta, separando AI Mode e AI Overview e marcando quando a superfície não apareceu. Com isso registrado, a codificação segue o dicionário de variáveis publicado junto do CSV. A regra que mais pesa é tratar descrição vaga como nd e nunca como não, para que a falta de anotação não vire ausência de tabela.

Quem já mantém um protocolo de medição com versão consegue acrescentar o campo de formato sem mudar o resto do registro. Para observar as consultas que o AI Mode dispara por trás da resposta, o caminho está no texto sobre como observar o query fan-out. E a forma de publicar um conjunto como este para que buscadores de dados o encontrem está no texto sobre schema Dataset e dados abertos.

O que uma segunda versão do protocolo pediria?

Uma versão 2 do protocolo de codificação precisaria separar cada consulta medida em uma linha própria, em vez de resumir a página em um único sim ou não, e de uma segunda codificação independente em parte da amostra para medir a concordância. Toda versão nova do dataset entra no histórico desta página com a data e o que mudou no dicionário.

Minha posição sobre o tema

O número que mais me orienta no estudo é o do preço: quando a resposta trazia valor em reais, o AI Mode montou tabela em 19 de 24 casos. Por isso, em página comercial, eu deixo a faixa de preço e os critérios de escolha já em formato de tabela na própria página, para o modelo ter de onde montar a comparação. Trato isso como hipótese de formato, não como causa: a amostra é de um único site, medido em cerca de um mês.

Dados abertos deste estudo

O arquivo fica neste site, sob licença CC BY 4.0. Para reutilizar, cite o estudo, a versão do protocolo e a data da medição.

Versão do protocolo
1.0
Cobertura
2026-09-02/2026-10-03
Linhas
108
Variáveis
tipo_pagina, intencao, fonte_intencao, data_medicao, tabela_ai_mode, tabela_aio, tema_tabela_ai_mode, valor_em_reais, empresas_nomeadas, pergunta_de_volta, norma_de_conselho

Arquivos do estudo

Os arquivos ficam com a fonte primária, sob licença CC BY 4.0. Para reutilizar, cite a fonte e a data da medição.

Limitações

  • A amostra vem de um único site de agência brasileira de SEO, com buscas escolhidas pelo trabalho desse site. Os números descrevem esse conjunto e não representam o AI Mode em geral.
  • O tamanho por tipo de página é pequeno. Glossário, ferramenta e institucional têm menos de 10 páginas cada, e as frações deles não sustentam comparação.
  • O formato foi registrado em texto livre durante medições feitas para outro fim e codificado depois por uma única pessoa, sem segunda codificação nem cálculo de concordância.
  • Ausência de um bloco na descrição foi codificada como não nas variáveis secundárias. Um bloco que existiu e não foi anotado conta como ausente.
  • O AI Overview foi descrito em só 37 das 108 páginas, então a comparação entre as duas superfícies é indicativa.
  • Cruzamentos entre variáveis são padrões descritivos e não indicam causa. A mesma resposta pode ter tabela por um motivo que o estudo não mede.
  • O AI Mode muda de formato com o tempo e com a conta usada; cada linha vale para a data registrada.

Como citar?

ABNT. FERRAZ, Lucas. Formato das respostas do Google AI Mode por tipo de página e intenção de busca, 2026. Zenodo, 2026. Conjunto de dados. DOI 10.5281/zenodo.23130680.

APA. Ferraz, L. (2026). Formato das respostas do Google AI Mode por tipo de página e intenção de busca, 2026 (Versão 1.0) [Conjunto de dados]. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.23130680

Edições e remedições

  • : Primeira versão, com 108 páginas e protocolo de codificação 1.0.
  • : Dataset publicado no Zenodo (versão 1.0, DOI 10.5281/zenodo.23130681), com os dados, o dicionário de variáveis e o README do protocolo. (ver)