
Comércio agêntico (agentic commerce) além do checkout
Comércio agêntico é a compra feita por um agente de IA em nome de uma pessoa. Em novembro de 2026, três protocolos abertos padronizam essa compra, o UCP do Google, o ACP da OpenAI com a Stripe e o AP2. Os três tratam item com preço. Pedido de orçamento só aparece em recurso fechado e em beta.
- O Google lançou o Universal Commerce Protocol em 11 de janeiro de 2026, desenvolvido com Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart;
- No UCP, o lojista publica um perfil JSON em /.well-known/ucp com os serviços e os transportes que aceita, entre eles REST, MCP e A2A;
- O Agentic Commerce Protocol, da OpenAI com a Stripe, foi aberto sob a licença Apache 2.0 junto com o Instant Checkout, em 29 de setembro de 2025;
- O Google anunciou o AP2 em 16 de setembro de 2025 e o doou à FIDO Alliance em 28 de abril de 2026, com a versão 0.2;
- A especificação Get Quote da OpenAI, em beta com parceiros aprovados, é o contrato publicado mais próximo de um pedido de orçamento feito por agente.
O que é comércio agêntico?
Comércio agêntico é a compra em que um agente de IA executa as etapas que a pessoa faria, de achar e comparar o item a montar o carrinho, preencher os dados e pagar. O termo em inglês, agentic commerce, virou nome de produto e de protocolo em 2025 e 2026, e cada empresa recortou um pedaço diferente do caminho. Para quem trabalha com SEO e GEO, a pergunta útil é o que o site precisa deixar legível e chamável para entrar nessa compra.
A definição de agente de IA no glossário da agência cobre o conceito geral. Aqui o recorte é técnico. Separo o comércio agêntico em três camadas, porque cada protocolo cuida de uma delas.
- Descoberta: o agente acha a oferta em catálogo, feed ou página, e decide se ela atende ao pedido;
- Checkout: o agente monta o carrinho e fecha o pedido com o lojista, com identidade e status do pedido;
- Pagamento: o agente prova que a pessoa autorizou aquela compra, com aquele valor, sem expor o cartão.

UCP ACP e AP2 lado a lado
Três protocolos abertos dividem o comércio agêntico em novembro de 2026, e cada um pega um pedaço diferente das três camadas.
| Protocolo | Dono | Lançamento | Camada principal | Licença |
|---|---|---|---|---|
| Universal Commerce Protocol (UCP) | Google, com Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart | 11 de janeiro de 2026 | Descoberta, carrinho, checkout e pedido | Apache 2.0 |
| Agentic Commerce Protocol (ACP) | OpenAI e Stripe | 29 de setembro de 2025 | Feed de produtos e checkout | Apache 2.0 |
| Agent Payments Protocol (AP2) | Google, doado à FIDO Alliance em 28 de abril de 2026 | 16 de setembro de 2025 | Pagamento com mandato assinado | Apache 2.0 |
O UCP é o mais amplo. O repositório oficial lista como capacidades iniciais checkout, vinculação de identidade por OAuth 2.0, pedido com webhooks e troca de token de pagamento, e o site do protocolo já põe busca no catálogo e montagem de carrinho na especificação. A última versão publicada é a 2026-08-25. O UCP declara compatibilidade com o AP2 como camada de confiança do pagamento.
O AP2 trata só do pagamento. O anúncio de 2025 descrevia mandatos como contratos digitais assinados por credenciais verificáveis, com mandato de intenção e mandato de carrinho. A especificação na versão 0.2 define dois tipos, o mandato de checkout e o mandato de pagamento, e acrescentou pagamento com o humano ausente. O anúncio diz que o AP2 pode ser usado como extensão do A2A e do MCP.
O ACP nasceu com o Instant Checkout do ChatGPT. Em 24 de março de 2026, a OpenAI escreveu que a primeira versão do Instant Checkout não deu a flexibilidade que ela queria. Desde então, o lojista pode usar o próprio checkout, e o foco da OpenAI passou para a descoberta de produto. A diretriz de plugins da OpenAI descreve o Instant Checkout hoje como beta, restrito a parceiros de marketplace selecionados.
UCP, ACP e AP2 padronizam a compra de item com preço e, nas especificações lidas em novembro de 2026, não têm capacidade publicada de pedido de orçamento nem de agendamento.
Lucas Ferraz, especialista em SEO
O que o lojista expõe em cada protocolo?
No UCP, o lojista publica um perfil JSON em /.well-known/ucp com a versão, os serviços e os transportes que aceita. A especificação mostra o mesmo serviço de compras oferecido em REST, MCP e A2A, cada um com endpoint e esquema próprios. O trecho abaixo reduz o exemplo oficial.
{
"ucp": {
"version": "2026-08-25",
"services": {
"dev.ucp.shopping": [
{ "transport": "rest", "endpoint": "https://business.example.com/ucp/v1" },
{ "transport": "mcp", "endpoint": "https://business.example.com/ucp/mcp" }
]
}
}
}
O primeiro passo do fluxo, na especificação, é o agente buscar esse perfil. O desenho é o mesmo do card de servidor MCP e do catálogo de API em /.well-known/, que descrevi no post sobre MCP para sites, em que um endereço fixo diz ao robô o que existe e por onde chamar.
No ACP, o lojista envia um feed de produtos à OpenAI, com nove campos obrigatórios por item ou variante, que são item_id, title, description, url, brand, seller_name, image_url, availability e price. O feed vai por SFTP, com um retrato completo pelo menos uma vez por dia, e a entrada está aberta só para parceiros aprovados. O checkout exige uma integração habilitada à parte.
No Google, a base continua sendo o dado estruturado de oferta. A documentação de merchant listing pede name, image e offers no Product, e price e priceCurrency no Offer, com availability, priceValidUntil, shippingDetails e hasMerchantReturnPolicy entre os recomendados. O anúncio do UCP acrescentou dezenas de atributos novos no Merchant Center para comércio conversacional.
O ponto comum aos três é preço legível por máquina. Agente não negocia com um "consulte". Quando o preço só existe na cabeça do vendedor ou atrás de um formulário, a oferta sai da comparação.
Onde fica o serviço vendido por orçamento?
O serviço vendido por orçamento fica fora dos três protocolos abertos. O roadmap do UCP lista como próximas verticais alimentação e hospedagem, e as especificações de ACP e AP2 que li tratam de item com preço. Clínicas, escritórios, marcenarias e prestadores de reforma, que fecham venda depois de uma conversa, não têm hoje um contrato aberto para receber o pedido de um agente.
Dois mecanismos chegam perto, e os dois são recursos fechados de plataforma.
- Get Quote da OpenAI: a especificação de conversão para serviços locais, em beta com parceiros aprovados, mostra um botão Get Quote no cartão do negócio dentro do ChatGPT. O parceiro registra uma ferramenta MCP chamada
request_service, que abre o formulário de orçamento em um modal, e envia um feed de negócios com nome, endereço, coordenadas, telefone e site, mais um registro de prestador comaction_typeigual arequest_a_quote; - Ligações automáticas do Google: a ajuda do Perfil da Empresa descreve o Google telefonando ao negócio a pedido de um cliente, com três usos, que são marcar horário, conferir preço e checar se produto ou serviço está disponível, sem custo para o negócio. Quando o negócio já informou o dado ao Google, o cliente recebe por e-mail ou SMS o orçamento do serviço. O recurso está em regiões e idiomas selecionados, com os Estados Unidos como mercado descrito, e o negócio pode desligar as ligações no Perfil da Empresa verificado.
As duas plataformas partem do mesmo dado de serviço. A ajuda do Google diz que ele não liga para perguntar estoque quando o dado já está no Merchant Center, o que mostra a ligação como remendo para o dado que o negócio não publicou. O que um prestador tem como alavanca técnica hoje é a parte que já é aberta, com faixa de preço de partida publicada no HTML, área atendida, prazo e um pedido de orçamento que um agente consiga acionar.
Como marcar um serviço sem preço fixo?
Um serviço sem preço fixo se marca no schema.org com Service e um Offer que carrega uma faixa de preço, em vez de um valor único. O priceSpecification aceita PriceSpecification com minPrice, que o vocabulário define como o menor preço quando o preço é uma faixa, e o areaServed diz onde o serviço é prestado. A documentação de merchant listing do Google trata de produto, então essa marcação serve à leitura por agente e por modelo, sem resultado enriquecido prometido.
{
"@type": "Service",
"name": "Projeto de móveis planejados",
"areaServed": { "@type": "City", "name": "Belo Horizonte" },
"offers": {
"@type": "Offer",
"priceSpecification": {
"@type": "PriceSpecification",
"minPrice": 4500,
"priceCurrency": "BRL"
}
}
}
O número do exemplo é ilustrativo. O que conta é o mesmo valor aparecer no texto visível da página, porque o agente que lê o HTML e o que lê o JSON-LD precisam chegar à mesma faixa.
A ação de pedir orçamento pode ser uma ferramenta WebMCP sobre o formulário de orçamento, que o agente dentro do navegador chama com os campos preenchidos. Para a leitura, a versão em Markdown para agentes de IA entrega a página sem menu nem script, com o preço de partida no texto.
Content Signals e a permissão de uso
A Content Signals Policy da Cloudflare, publicada em 24 de setembro de 2025, acrescenta ao robots.txt uma linha que separa três usos do conteúdo, que são search, ai-input e ai-train. O search cobre índice e resultado de busca e, pelo texto da política, não inclui resumo gerado por IA. O ai-input cobre RAG, grounding e outro uso em tempo real para respostas de busca generativa. O ai-train cobre treino e ajuste fino de modelo.
Na minha leitura, para comércio agêntico o sinal que conta é o ai-input, porque é ele que trata do agente lendo a página na hora de recomendar ou comparar. A política diz que os sinais expressam preferência e não são contramedida técnica, e que a ausência do sinal não concede nem restringe permissão. No lucasferraz.com, o robots.txt traz Content-Signal: search=yes, ai-input=yes, ai-train=yes em cada um dos 20 grupos, porque o robô com grupo próprio ignora o grupo *. Conferi o arquivo ao vivo em 1º de novembro de 2026.
O que dá para preparar em um site brasileiro em 2026?
Em um site brasileiro, o preparo para comércio agêntico em 2026 é o que já vale para leitura por agente, com atenção ao preço. Nenhuma página oficial que li lista o Brasil no checkout por UCP, no Get Quote ou nas ligações automáticas. A ordem que sigo está abaixo.
- Preço legível:
ProductcomOffercompleto para quem vende item, e faixa de preço de partida em texto para quem vende por orçamento; - Feed com o mesmo dado da página: Merchant Center atualizado, para o preço do feed não divergir do preço do HTML;
- Ação chamável: o formulário de orçamento exposto como ferramenta, com campos nomeados e resposta que o agente consiga ler;
- Permissão declarada:
ai-inputcoerente com o que o negócio quer, já que o agente que compara depende dele; - Perfil da Empresa revisado: os dados de serviço e a configuração das ligações automáticas, para quando o recurso chegar ao país.
O /.well-known/ucp fica para quando o lojista tiver um checkout que um agente possa usar e o Google abrir o mercado. Publicar o perfil antes disso anuncia uma capacidade que o site não tem.
Minha posição sobre o tema
Para quem vende por orçamento, não existe protocolo aberto de comércio agêntico em novembro de 2026, porque UCP, ACP e AP2 padronizam carrinho e pagamento de item com preço. O preparo que faço hoje é deixar preço de partida, área atendida e o pedido de orçamento legíveis por máquina, em dado estruturado e em uma ação que um agente consiga chamar, antes de pensar em checkout.
Nota de método
- O que foi medido
- As especificações, os repositórios e as páginas oficiais de UCP, AP2, ACP, Get Quote, ligações automáticas do Google, Content Signals e merchant listing, mais o robots.txt deste site.
- Quando
- 1º de novembro de 2026.
- Como
- Leitura direta de cada fonte primária no dia, com o texto bruto guardado, e datas conferidas na própria página ou na API do GitHub de cada repositório.
- Limitação
- Nenhum recurso foi testado de ponta a ponta com um agente real, porque o checkout por UCP e o Get Quote não estão abertos para sites brasileiros. As especificações mudam por versão, e as citadas são a UCP 2026-08-25 e a AP2 0.2.
Os termos de medição estão definidos no vocabulário de medição, e o protocolo das rodadas na política editorial.
O que a IA desdobra desta pergunta?
Quando alguém faz esta busca em uma IA, o sistema abre subperguntas antes de responder. Estas são as que apareceram na medição, e onde cada uma é respondida.
Perguntas frequentes
Nenhuma página oficial que li em 1º de novembro de 2026 lista o Brasil. O checkout por UCP no AI Mode e no Gemini vale para lojistas elegíveis dos Estados Unidos, e a ajuda do Merchant Center cita Estados Unidos, Canadá e Austrália. O roadmap do UCP prevê expansão em fases, com a América Latina entre os mercados.
O UCP é do Google e cobre catálogo, carrinho, checkout, identidade e pedido, com perfil público do lojista em /.well-known/ucp. O ACP é da OpenAI com a Stripe e parte de um feed de produtos enviado à OpenAI, com o checkout como integração separada. Os dois são abertos, sob Apache 2.0, e aceitam MCP como transporte.
O robots.txt orienta rastreadores e não tranca formulário. A linha Content-Signal da Cloudflare separa search, ai-input e ai-train, e a própria política diz que os sinais expressam preferência, sem contramedida técnica. Um ai-input=no pede que o conteúdo não alimente respostas generativas em tempo real, o que tira a página da comparação feita por quem respeita o sinal.
Fontes citadas
- Google, New tech and tools for retailers to succeed in an agentic shopping era (2026)
- Universal Commerce Protocol, visão geral da especificação (2026)
- Universal Commerce Protocol, roadmap (2026)
- Google Cloud, Announcing Agent Payments Protocol (AP2) (2025)
- Google, AP2 doado à FIDO Alliance (2026)
- OpenAI, Buy it in ChatGPT, Instant Checkout and the Agentic Commerce Protocol (2025)
- OpenAI, Powering product discovery in ChatGPT (2026)
- OpenAI, especificação do feed de produtos (2026)
- OpenAI, Local services Get Quote conversion spec (2026)
- Google, ligações automáticas para negócios no Perfil da Empresa (2026)
- Cloudflare, Content Signals Policy (2025)
- Google Search Central, dados estruturados de merchant listing (2026)
Versão em markdown para agentes de IA: https://lucasferraz.com/blog/comercio-agentico/md/


