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Lucas Ferraz Posts

Toda amplitude do que é ser humano ou Porque criar personagens diferentes de você mesmo

Todos os grandes escritores que eu admiro criam ótimos personagens. E além de criar ótimos personagens, eles exploram, em cada um deles, uma faceta diferente da humanidade. É claro que o primeiro instinto ao começar a escrever uma obra é a autorepresentação, afinal quem conhecemos melhor do que a nós mesmos? É mais fácil nos fazer protagonistas e nos colocarmos em situações fantásticas e absurdas que só poderiam acontecer na ficção. Na minha opinião, o que separa um grande escritor dos demais, é sua capacidade de, eventualmente, negar essa facilidade e passar a criar personagens diversos, de outros gêneros, raças ou orientações sexuais, e fazê-los saltar das páginas de um livro como se fossem alguém de carne e osso. O primeiro passo para isso, assim como para muita coisa na vida, é estar disposto a encarar esse desafio de fazer da literatura mais do que apenas trama e enredo, mas humanizá-la…

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Como saber se você está sendo enganado, por Neil Gaiman (e umas coisinhas mais)

Resolvi reativar esse abandonado e tristonho blog para dar meus cinco centavos sobre um assunto que pegou fogo nos últimos dias: pagar para publicar vale a pena? (Spoiler: não). Mas na verdade “meus” cinco centavos são duas indicações de textos e uma tradução livre que arrisquei, de ninguém mais ninguém menos que ele, sr. Neil Gaiman! O primeiro texto que vou linkar aqui é da Soraya Coelho e dá ótimas dicas do que fazer se você tem algum dinheiro pra investir em sua escrita, ao invés de pagar para alguma editora qualquer publicar um conto seu, além de diversos conteúdos online que são ótimos e de graça!  —> Tenho 300 reais e quero ser escritor. O que fazer? O segundo texto é da Cláudia Dugim e trata de temas como auto publicação, financimento coletivo e a famigerada Vanity Press, e também é uma leitura indispensável se você já considerou investir seu rico dinheirinho em…

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Votos, Eventos e Leituras

Alguns votos precisam ser renovados. Isso não se aplica aos dados a políticos, que em caso de arrependimentos devem ser apenas trocados sem receio nem remorso. Mas deve ser aplicado nos de casamento, por exemplo, e em outros menos sérios, ou melhor, aqueles que levamos a sério apenas durante algumas semanas após serem feitos, no início de cada ano. Mais do que falta de disciplina, os imprevistos da vida, como uma rasteira no emprego, podem desestabilizar o cumprimento das metas. Foi o que me aconteceu. Um começo de ano animado, um mês de fevereiro arrastado e quase todo um mês de março  totalmente desperdiçado. Dentro de casa, o que é ainda pior. O tempo nunca se faz presente, e quando vem traz colegas como a apatia e o desânimo, que tornam o mero tentar produzir em um exercício de golpes em ponta de facas. É hora de renovar aqueles votos,…

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Leituras de Janeiro de 2016

O último trimestre de 2015, talvez até um pouco antes disso, foi um período complicado na minha vida pessoal e profissional, de modo que li pouquíssimo. Na verdade me lembro de ter lido um livro de contos para o CabulosoCast, mas nada além disso. Como os problemas que me atribulavam acabaram, decidi que em 2016 eu iria aproveitar direito todo tempo de deslocamento em metrôs e ler direito, e uma vez que comecei a fazer isso não vi motivos para parar ou diminuir a velocidade de modo que li o número surpreendente de 10 livros esse mês! Vou comentar brevemente cada um deles,  adaptando minhas avaliações no Goodreads. Tem coisas ótimas que todos deveriam ler e outras que eu sinceramente nem sei porque foram publicadas, mas faz parte! Limbo, de Thiago d’Evecque (4 estrelas) Esse livro me foi indicado por amigo, e decidi começar as leituras do ano por ele. Foi…

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Onde Estão Nossos Heróis?

Você já parou pra pensar no que acontece com os heróis? Eles passam por muitas aventuras, matam bestas terríveis, recuperam itens mágicos, descem às profundezas do Hades e saem ilesos. Vencem a morte, literalmente, e continuam a povoar o imaginário dos povos antigos, como se ainda existissem, como se ainda caminhassem na Terra, ou são lembrados como grandes reis que ascenderam ao Olimpo. Mas a cada grão que cai para baixo da ampulheta, um grande panteão some, dizimado com seu povo, ou absorvido pelas insaciáveis religiões de um só Deus, que às vezes é três. Os heróis se tornam lendas, as lendas viram fábulas, e adquirem muitos significados. Crianças se divertem com elas em desenhos na TV, antropólogos as estudam e curiosos as devoram com avidez. E onde estão os nossos heróis? Sim, os nossos, os que conhecemos e falamos sobre, os que inspiram nossos sonhos e deslumbram nossa mente. Hoje,…

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Sobre 2016 e a Arte da Nomenclatura de Embarcações

Passou Natal, passou ano novo, dia 25 de dezembro e dia 01 de janeiro caindo em sexta-feira, melhor impossível! Passou peru, tender com abacaxi, arroz com passas e maionese com maçã, para minha alegria e desespero de muitos. Passou reunião com família, passou descanso, passou relaxamento. Começa um novo ano. 2015 não foi um ano legal pra mim. Por motivos de trabalho, de stress e de retroalimentar o que aconteceu de ruim com expectativa de mais aborrecimentos. Sim, sempre temos nossa parcela de culpa, especialmente em situação de longa duração, por tornar pior o que já não está legal. O grande problema foi que dei o nome errado ao meu barco. Sabe, nomear um barco é uma arte. Eu nem mesmo nunca entrei em um barco, nunca estive em alto-mar, mas você já viu um barco chamado Tristeza das Ondas? Que tal Melancolia Serena? Claro que não! Nomes de barcos são…

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O Último do Ano

Novembro passou arrastado, sem vontade, sem força. Nem me lembrei do 5. Tive um momento bacana de aniversário, seguido de uma conturbada mudança de casa, mas tudo envolto numa névoa que custei a dissipar. A tal névoa vinha se formando há meses, e foi de uma leve neblina a uma espessa bruma que dificultou muito os planos de projetos paralelos nesse segundo semestre. Fiquei meses sem ler um romance inteiro. Minha última resenha no Leitor Cabuloso foi no final de agosto. Li um livro de contos curtos para um programa, e acredito que só consegui por serem contos curtos. Meu cérebro só aceitava informações que recebesse sem precisar de muito esforço, por isso ouvi mais podcasts: a audição requer menos concentração. Infelizmente sinto que nem esses absorvi muito bem. Os motivos desse estado não vem ao caso, importante é dizer que senti sob os pés a beirada da queda maior e recuei. É…

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Sentimentos à Flor da Pele

No final do ano passado eu era um recém chegado no mundo dos podcasts. Isso como participante, pois já ouvia há algum tempo. Meu primeiro CabulosoCast foi lançado em outubro, e minhas amizades e contatos com o pessoal que faz podcasts de literatura só tem aumentado desde então. No final do ano passado notei uma movimentação intrigante nas arrobas literárias no Twitter, e pouco depois soube dos planos de fazer um antologia de contos, da qual, como parte da equipe do CabulosoCast, tive a chance de poder participar. A primeira coisa que posso dizer sobre isso é que se um dia você for participar de algo parecido, leia as regras com muito cuidado. É sério. O tamanho máximo do conto era de 8000 caracteres, e eu pensei que fossem 8000 palavras. Como consequência, escrevi um conto grande com vários personagens e depois tive que reescrever tudo para ficar dentro do…

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A Incapacidade Interpretativa e o Endeusamento da Opinião

Acredito ser notório para todos que vivem conectados e em contato com redes sociais o quanto as pessoas não sabem interpretar textos. Ou não querem, mas por hora vamos trabalhar com o não sabem. Eu tenho presenciado isso acontecendo com vários textos, dos mais claros e literais aos mais sutis, e isso em tempos nos quais a comunicação escrita tem aumentado consideravelmente. Muito se fala que nunca se leu e escreveu tanto, e talvez as redes sociais sejam em muito responsáveis por isso, mas em grande parte dos casos ler bastante não significa que você sabe o que está lendo. Outro dia vi um post no Facebook, feito por uma página de tecnologia, que mostrava o vídeo de um robô desenvolvido para resolver um cubo mágico. Ele tem uma scanner que lê as cores do cubo e dois eixos de movimento que o montam. Nos comentários havia muita gente impressionada…

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Jethro Tull: The Rock Opera em SP (07/10/2015)

No começo eu achava que Jethro Tull era uma banda de metal. Peço que relevem minha ignorância juvenil. Na época, mais de 10 anos atrás, eu não ouvia heavy metal, então da primeira vez que ouvi Aqualung, por indicação de um amigo, achei que aquele som pesado devia ser algo recorrente no estilo da banda. Não ouvi mais durante um bom tempo. Até que alguma coisa aconteceu. Eu queria me lembrar o que foi essa coisa, talvez por alguma idealização boba de que só pode ter sido um evento de importância cósmica, quando provavelmente apenas fiquei curioso de novo e peguei um disco inteiro pra ouvir. Aliás, ser adolescente numa cidade pequena, sem lojas de CD’s, e nos tempos que os olhos chegavam a marejar ao ouvir a sinfonia do modem conectando na internet discada, não era fácil. Às vezes levava um dia inteiro para baixar um CD. Nesse ponto fui ajudado por…

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