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Categoria: Opinião

Umberto Eco e o fascismo de Trump

Recentemente fui criticado por chamar Donald Trump de fascista. Aparentemente eu seria uma de três coisas: desinformado, desonesto ou mentiroso. Hoje, após ter lido muito sobre fascismo, vou deixar outra pessoa defender minha tese. Umberto Eco foi um escritor e filósofo italiano que nasceu em 1932. Ele cresceu sob o regime fascista de Benito Mussolini. Ele sabia o que foi o fascismo, pois o conheceu bem de perto. Anos atrás ele escreveu esse texto falando sobre o fascismo e pontuando 14 características fascistas. Recomendo fortemente a leitura. É importante começar dizendo que Eco entende que o termo fascismo teve seu uso expandido além do regime de Mussolini desde muitas décadas atrás. É o que ele chama de Ur-Fascismo, ou Fascismo Eterno, que se trata do entendimento do fascismo como um conjunto de características que tem uma base arquetípica no regime de Mussolini. Regime esse, por sinal, que Eco considera não…

Toda amplitude do que é ser humano ou Porque criar personagens diferentes de você mesmo

Todos os grandes escritores que eu admiro criam ótimos personagens. E além de criar ótimos personagens, eles exploram, em cada um deles, uma faceta diferente da humanidade. É claro que o primeiro instinto ao começar a escrever uma obra é a autorepresentação, afinal quem conhecemos melhor do que a nós mesmos? É mais fácil nos fazer protagonistas e nos colocarmos em situações fantásticas e absurdas que só poderiam acontecer na ficção. Na minha opinião, o que separa um grande escritor dos demais, é sua capacidade de, eventualmente, negar essa facilidade e passar a criar personagens diversos, de outros gêneros, raças ou orientações sexuais, e fazê-los saltar das páginas de um livro como se fossem alguém de carne e osso. O primeiro passo para isso, assim como para muita coisa na vida, é estar disposto a encarar esse desafio de fazer da literatura mais do que apenas trama e enredo, mas humanizá-la…

Como saber se você está sendo enganado, por Neil Gaiman (e umas coisinhas mais)

Resolvi reativar esse abandonado e tristonho blog para dar meus cinco centavos sobre um assunto que pegou fogo nos últimos dias: pagar para publicar vale a pena? (Spoiler: não). Mas na verdade “meus” cinco centavos são duas indicações de textos e uma tradução livre que arrisquei, de ninguém mais ninguém menos que ele, sr. Neil Gaiman! O primeiro texto que vou linkar aqui é da Soraya Coelho e dá ótimas dicas do que fazer se você tem algum dinheiro pra investir em sua escrita, ao invés de pagar para alguma editora qualquer publicar um conto seu, além de diversos conteúdos online que são ótimos e de graça!  —> Tenho 300 reais e quero ser escritor. O que fazer? O segundo texto é da Cláudia Dugim e trata de temas como auto publicação, financimento coletivo e a famigerada Vanity Press, e também é uma leitura indispensável se você já considerou investir seu rico dinheirinho em…

Onde Estão Nossos Heróis?

Você já parou pra pensar no que acontece com os heróis? Eles passam por muitas aventuras, matam bestas terríveis, recuperam itens mágicos, descem às profundezas do Hades e saem ilesos. Vencem a morte, literalmente, e continuam a povoar o imaginário dos povos antigos, como se ainda existissem, como se ainda caminhassem na Terra, ou são lembrados como grandes reis que ascenderam ao Olimpo. Mas a cada grão que cai para baixo da ampulheta, um grande panteão some, dizimado com seu povo, ou absorvido pelas insaciáveis religiões de um só Deus, que às vezes é três. Os heróis se tornam lendas, as lendas viram fábulas, e adquirem muitos significados. Crianças se divertem com elas em desenhos na TV, antropólogos as estudam e curiosos as devoram com avidez. E onde estão os nossos heróis? Sim, os nossos, os que conhecemos e falamos sobre, os que inspiram nossos sonhos e deslumbram nossa mente. Hoje,…

Sobre 2016 e a Arte da Nomenclatura de Embarcações

Passou Natal, passou ano novo, dia 25 de dezembro e dia 01 de janeiro caindo em sexta-feira, melhor impossível! Passou peru, tender com abacaxi, arroz com passas e maionese com maçã, para minha alegria e desespero de muitos. Passou reunião com família, passou descanso, passou relaxamento. Começa um novo ano. 2015 não foi um ano legal pra mim. Por motivos de trabalho, de stress e de retroalimentar o que aconteceu de ruim com expectativa de mais aborrecimentos. Sim, sempre temos nossa parcela de culpa, especialmente em situação de longa duração, por tornar pior o que já não está legal. O grande problema foi que dei o nome errado ao meu barco. Sabe, nomear um barco é uma arte. Eu nem mesmo nunca entrei em um barco, nunca estive em alto-mar, mas você já viu um barco chamado Tristeza das Ondas? Que tal Melancolia Serena? Claro que não! Nomes de barcos são…

A Incapacidade Interpretativa e o Endeusamento da Opinião

Acredito ser notório para todos que vivem conectados e em contato com redes sociais o quanto as pessoas não sabem interpretar textos. Ou não querem, mas por hora vamos trabalhar com o não sabem. Eu tenho presenciado isso acontecendo com vários textos, dos mais claros e literais aos mais sutis, e isso em tempos nos quais a comunicação escrita tem aumentado consideravelmente. Muito se fala que nunca se leu e escreveu tanto, e talvez as redes sociais sejam em muito responsáveis por isso, mas em grande parte dos casos ler bastante não significa que você sabe o que está lendo. Outro dia vi um post no Facebook, feito por uma página de tecnologia, que mostrava o vídeo de um robô desenvolvido para resolver um cubo mágico. Ele tem uma scanner que lê as cores do cubo e dois eixos de movimento que o montam. Nos comentários havia muita gente impressionada…

Opiniões sobre o podcast Ghost Writer #55 e a Precificação de eBooks

Hoje foi lançado o episódio #55 do podcast de literatura Ghost Writer, que já recomendei aqui no blog em um post sobre podcasts literários. O episódio, que é a primeira parte de duas*, trata sobre o  mercado de e-books do Brasil, e nele Herdy e Modena conversam com Sérgio França, editor de eBooks da Editora Record, Laudelino Lima, Gerente Geral de Tecnologia da Editora Record e Eduardo Spohr. * Vide #Edit 3 no final do texto para obervações sobre a parte dois do podcast. O episódio foi uma audição muito interessante, mas falhou em esclarecer várias questões  e dúvidas que há muito tempo rondam o mercado nacional de eBooks. Resolvi escrever esse texto para analisar alguns pontos citados no episódio que me incomodaram ou que senti que não foram completamente esclarecidos. Importante notar que essa não é uma  crítica ao Ghost Writer, que mandou bem em conseguir entrevistar o pessoal da Record,…

Sobre Preconceito Literário e Cidades de Papel

Você já olhou para alguém lendo John Green na rua e pensou: “Nossa, que merda.” Admita. Ou então, se você lê esse tipo de literatura, você já viu alguém lendo Tolstói e pensou: “Afe, que esnobe.” Vamos lá, não minta que é feio. Mas, caso você não tenha preconceito com nenhum tipo de livro, parabéns, nasceste uma pessoa evoluída. Eu não tive tanta sorte. O que é meio irônico se formos considerar que cresci lendo fantasia, leitura considerada por muitos como escapista e infantil. Enfim, apenas recentemente, após começar a gravar o Cabuloso Cast e conhecer pessoas fenomenais que falam de literatura pela internet que tenho me tornado alguém mais aberto à novas experiências e que tenta enxergar o valor que cada tipo de obra possuí. E, eventualmente, até a ler algo que normalmente não leria. É aí chegamos em John Green e suas Cidades de Papel. Hoje de manhã baixei esse…