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Autor: Lucas Ferraz

Jethro Tull: The Rock Opera em SP (07/10/2015)

No começo eu achava que Jethro Tull era uma banda de metal. Peço que relevem minha ignorância juvenil. Na época, mais de 10 anos atrás, eu não ouvia heavy metal, então da primeira vez que ouvi Aqualung, por indicação de um amigo, achei que aquele som pesado devia ser algo recorrente no estilo da banda. Não ouvi mais durante um bom tempo. Até que alguma coisa aconteceu. Eu queria me lembrar o que foi essa coisa, talvez por alguma idealização boba de que só pode ter sido um evento de importância cósmica, quando provavelmente apenas fiquei curioso de novo e peguei um disco inteiro pra ouvir. Aliás, ser adolescente numa cidade pequena, sem lojas de CD’s, e nos tempos que os olhos chegavam a marejar ao ouvir a sinfonia do modem conectando na internet discada, não era fácil. Às vezes levava um dia inteiro para baixar um CD. Nesse ponto fui ajudado por…

Sobre o Rei e sua Escrita

Quando peguei Sobre a Escrita, de Stephen King, não esperava um livro tão auto-biográfico, que trata mais de sua própria trajetória do que de dicas para escrita. Acredito que no fundo todos temos esse desejo utópico, em várias ocasiões da vida, de encontrar o mapa do tesouro, explicado e detalhado. Mesmo que neguemos, mesmo que conscientemente justifiquemos que queremos apenas aprender o possível de um cara já estabelecido, em algum canto vive essa esperança tola. King não faz promessas, e o livro já começa dizendo isso. Não se trata de um manual de escrita criativa ou de um guia de boas práticas, apesar de trazer um bom conteúdo nesse sentido. A primeira parte do relato é sobre sua vida, desde criança até um escritor estabelecido, passando pelo ponto de virada onde sua mulher salva o começo de um romance da lata de lixo. Era Carrie, seu primeiro sucesso. Na segunda parte…

#AntiMachismoNerd

Eu relutei em escrever qualquer coisa sobre esse assunto. Não queria que parecesse um ataque de oportunidade, mas no final das contas o fato é que esse post é mais pra mim mesmo do que para quem possa porventura estar lendo. A primeira vez que ouvi o termo podcast foi em 2010 quando um amigo de onde trabalhava me mostrou o NerdCast. Para me cativar, sabendo do meu vício por Tolkien, me indicou os episódios sobre Senhor dos Anéis e O Hobbit. Por anos eu ouvi o programa esporadicamente, assim como fiz com o MRG tempos depois, pulando temas e ficando longos períodos sem contato. Esse meu amigo estava lendo A Batalha do Apocalypse, que ele comprou logo que saiu, nas primeiras edições da NerdBooks. Era visível o brilho nos olhos dele ao falar sobre o livro. Já naquela época o NerdCast e seus participantes estavam deixando de ser apenas outros…

Eu e os eReaders

Há muitos anos atrás eu lia no computador. Pegava os livros e lia na tela brilhante, incômoda, e com a postura toda errada. Era um sofrimento! Quando ouvi falar pela primeira vez de uma tecnologia chamada eInk fiquei maravilhado, não via a hora de ter um aparelho com aquele tipo de tela que parecia papel. A própria noção de uma tela que parece papel e cuja tinta eletrônica forma as letras era, e até certo ponto ainda é, algo mágico. Mas, aqui no Brasil, tudo isso era totalmente desconhecido para o grande público. Meu primeiro aparelho, sob recomendação de uma amiga, acabou sendo um Sony PRS-600, comprado no Mercado Livre, e pelo qual paguei os olhos da cara. Eu o comprei em 2010, e a reação das pessoas quanto a ele era no mínimo engraçada. Meu chefe da época tirava sarro porque paguei caro em um aparelho “pra ler PDF”,…

Ancillary Justice

Duas pessoas fugindo num mundo gelado, uma delas doente. Os pronomes são confusos e os nomes estranhos. Pode até parecer, mas não estou falando de A Mão Esquerda da Escuridão, de Úrsula K. Le Guin. O começo do livro tem essa pegada e remete muito à obra de Le Guin, mas isso passa rápido, e um universo muito diferente se revela. Estava querendo ler esse livro faz um certo tempo, e finalmente peguei na KoboStore. A expectativa era grande, afinal o livro ganhou o Hugo, o Nebula e o Arthur C. Clark Award de melhor sci-fi, além de um Locus de melhor livro de estréia, entre outros. A primeira vez que ouvi algo sobre a obra foi no Drone Saltitante (quando ainda era The White Robot), na época achei uma ideia bastante maluca e acabei deixando para depois. Segue o link do episódio: TWR #040 Review – Ancillary Justice. Afinal, do que se…

Opiniões sobre o podcast Ghost Writer #55 e a Precificação de eBooks

Hoje foi lançado o episódio #55 do podcast de literatura Ghost Writer, que já recomendei aqui no blog em um post sobre podcasts literários. O episódio, que é a primeira parte de duas*, trata sobre o  mercado de e-books do Brasil, e nele Herdy e Modena conversam com Sérgio França, editor de eBooks da Editora Record, Laudelino Lima, Gerente Geral de Tecnologia da Editora Record e Eduardo Spohr. * Vide #Edit 3 no final do texto para obervações sobre a parte dois do podcast. O episódio foi uma audição muito interessante, mas falhou em esclarecer várias questões  e dúvidas que há muito tempo rondam o mercado nacional de eBooks. Resolvi escrever esse texto para analisar alguns pontos citados no episódio que me incomodaram ou que senti que não foram completamente esclarecidos. Importante notar que essa não é uma  crítica ao Ghost Writer, que mandou bem em conseguir entrevistar o pessoal da Record,…

Sobre Preconceito Literário e Cidades de Papel

Você já olhou para alguém lendo John Green na rua e pensou: “Nossa, que merda.” Admita. Ou então, se você lê esse tipo de literatura, você já viu alguém lendo Tolstói e pensou: “Afe, que esnobe.” Vamos lá, não minta que é feio. Mas, caso você não tenha preconceito com nenhum tipo de livro, parabéns, nasceste uma pessoa evoluída. Eu não tive tanta sorte. O que é meio irônico se formos considerar que cresci lendo fantasia, leitura considerada por muitos como escapista e infantil. Enfim, apenas recentemente, após começar a gravar o Cabuloso Cast e conhecer pessoas fenomenais que falam de literatura pela internet que tenho me tornado alguém mais aberto à novas experiências e que tenta enxergar o valor que cada tipo de obra possuí. E, eventualmente, até a ler algo que normalmente não leria. É aí chegamos em John Green e suas Cidades de Papel. Hoje de manhã baixei esse…

Porque comprar a Revista Trasgo?

  Existem algumas revistas digitais em atividade Brasil, como a Black Rocket, a Somnium, etc. Mas hoje vou falar apenas da Trasgo, que foi a que realmente me pegou, devido a alguns fatores essenciais, como a temática de ficção científica e fantasia, a qualidade do trabalho entregue em cada edição e praticidade para lê-la. Se você ainda tem dúvidas se deve comprar a revista, vamos tirar algumas dúvidas… Como eu posso ler a Trasgo? A Trasgo é disponibilizado em ePub, Mobi e PDF, tornando tranquila sua leitura em qualquer dispositivo, seja eReader, tablet ou smartphone. Até mesmo no computador! Eu uso um Kobo, e gosto muito de poder entrar na Kobo Store e baixar minha Trasgo sem qualquer complicação. Tá, mas o que tem na revista? Os seis contos de cada edição da Trasgo são escritos por autores convidados e por submissões, e passam por um rigoroso processo de curadoria e diversas revisões…

Podcasts Literários

Eu sou um apaixonado pela mídia podcast, e aprecio especialmente os podcasts que trazem conteúdo e uma discussão com profundidade, e que me adicionam algo. Tendo isso em vista, claro que não pode soar como uma aula ou discussão acadêmica, o bom humor é elemento fundamental para o andamento de um programa, mas com parcimônia: o excesso de humor pode arruinar um bom episódio. Podcasts com temática literária é o que não falta. Temos de todos os tipos, durações, periodicidades e estilos diferentes, para agradar a todos os gostos. Abaixo faço um relação de 8 casts literários, a maioria dos quais eu acompanho ativamente, e que tem um ótimo conteúdo e apresentação. No futuro quero fazer posts mais específicos sobre episódios desses casts que podem interessar a quem gosta de escrever. O Cabuloso Cast é o podcast do site Leitor Cabuloso, do qual eu participo. O Cabuloso é o maior…

La Corte de Los Espejos e o Drone que Saltita

Ano passado comecei a ler um livro em espanhol. Até então eu morava em Sorocaba e usava fretado diariamente. Era lá que eu lia. A missão falhou. Ler algo em espanhol para mim que não estou acostumado é um tanto desafiador no começo, e o esforço não resistiu ao chacoalhar do ônibus, que me fez cair no sono rapidinho, apesar da curiosidade para com o livro, visto que o Igor e a Diana do Drone Saltitante falam muito bem dele. Após  começar esse blog, resolvi que a linha porque aqui seria falar de livros sem tradução para  o português e nacionais auto-publicados, para fazer algo diferente das resenhas que posto no Leitor Cabuloso. Após ler The Goblin Emperor, La Corte de Los Espejos me veio na cabeça. Uma boa hora para tentar novamente. Para começar devo dizer que meu espanhol é básico e há muito tempo queria ler algo na língua…