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Como eu criei o ebook da antologia Realidades Cabulosas: Ano 1

Ano passado, quando me envolvi em alguns projetos de antologias, precisei aprender a criar ebooks do zero. Hoje acredito ter o mínimo domínio necessário e me sinto habilitado a criar ebooks sem grandes problemas, mas tenho noção de que talvez eu possua certa vantagem, partilhada por outros escritores que também trabalham com programação, que é o conhecimento prévio das linguagens envolvidas.

Não que seja algo complexo, na verdade eu descobri que ebooks nada mais são que páginas web num formato específico, feitos usando HTML e CSS. Nesse post pretendo compartilhar o que aprendi, primeiro com as dicas que recebi do Rodrigo van Kampen, a quem agradeço, e depois com pesquisas na internet e no próprio processo de criação dos ebooks.

O ebook que usei como base nesse post é o Realidades Cabulosas: Ano 1, disponível para download gratuito. Vocês podem baixar o arquivo ePub da antologia e abrir nos programas de que falarei a seguir para ver como as coisas foram feitos e se familiarizarem com o processo.

A intenção aqui é dar um ponto de partida para quem não sabe por onde começar, e também trocar informações, pois esse é o modo como eu estou fazendo as coisas, o que não quer dizer que seja o melhor modo possível, e eu adoraria também receber dicas que me ajudassem a melhorar. Mas chega de falatório, vamos começar?

 

HTML e CSS

O HTML é uma linguagem de marcação, o que, de forma simplificada, significa que ela possui certos comandos que especificam como o texto vai se comportar, comandos para inserção de imagens, comandos para criação de hyperlinks, etc. O arquivo HTML não é compilado, ou seja, ele não é um .exe que você roda no seu Windows mas não tem acesso ao código. No HTML você pode visualizar e alterar o código, e então basta salvar o arquivo que está tudo pronto, pois o navegador, ou os eReaders, vão decodificar e exibir o resultado final em tempo real.

Já o CSS é uma folha de estilos, um arquivo no qual você específica regras de estilo que pode aplicar posteriormente nos arquivos HTML. Isso facilita muito as coisas. Por exemplo, se eu especifíco uma regra dizendo que todos os meus parágrafos terão um recuo de 0,5 centímetro e aplico no texto, mais tarde, caso me arrependa, eu posso alterar apenas essa regra e mudar o tamanho do recuo de modo que todo texto será automaticamente atualizado, evitando que eu tenha que alterar manualmente todos os parágrafos do livro. Mas isso tudo ficará mais claro com os exemplos que darei a seguir, no momento basta saber que você não está lidando com um bicho de sete cabeças.

 

Calibre

Mas qual ferramenta utilizar para criar um ebook? Minhas primeiras experimentações foram com o Calibre, que talvez você conheça como um software gerenciador da sua bliblioteca de ebooks, mas ele também tem um botãozinho pouco conhecido na barra de ferramentas que permite justamente a edição dos ebooks:

Esse botão é últil para acessar o ebook que você está criando ou para abrir outro ebook já existente, para usá-lo como base ou para ver como as coisas foram feitas, mas, no caso de criar um ebook do zero, essa é a opção a ser usada:

A tela a seguir será aberta, onde você deverá definir o nome do autor e título da obra, e escolher o formato ePub:

Com isso você terá um ePub totalmente em branco a partir do qual poderá criar seu ebook. Mas, antes de prosseguirmos, vamos falar brevemente sobre formatos.

 

Formatos de eBooks

Há dois formatos de ebook que, no meu entender, são indispensáveis, que são o ePub e o Mobi. O ePub é um padrão técnico internacional em termos de ebook, e é lido pela maioria dos eReaders, aplicativos para celular e etc. O Mobi é um formato um pouco mais antigo, que foi comprado pela Amazon em 2005. Como consequência, o Kindle não lê arquivos ePub, apenas Mobi.

Logo, é preciso que seu ebook exista nos dois formatos para atender de forma completa seu público leitor. Geralmente recomenda-se Mobi para dispositivos Kindle e ePub para demais aparelhos. Há também o famigerado PDF, mas não vou entrar nesse mérito, tanto porque, para ter um PDF, basta converter seu documento Word, quanto porque, na minha opinião, ele já deveria ter sido extinto. Ainda assim ele continuará sendo importante até que todo mundo esteja totalmente familiarizado e confortável com ebooks propriamente ditos.

Na criação de ebooks, o que nós criamos é um arquivo ePub. Eu costumo, depois que o ePub está finalizado, converte-lo para Mobi usando o Kindle Previewer, mas demonstrarei esse processo mais ao final do artigo. Por enquanto, vamos voltar ao programa usado na criação do ebook. Eu estava falando sobre o Calibre e como iniciar um livro em branco nele, mas a verdade é que o Calibre não me parece ser a ferramente ideal para criar um ebook do zero, e explico o porquê.

 

Calibre (de novo)

Edit: nos próximos tópicos eu listei alguns problemas que tive para converter o arquivo word em HTML. O Rodrigo van Kampen deu algumas dicas nos comentários, então fiz um novo tópico depois do Criando um arquivo HTML para detalhar isso.

Essa é a visualização do ebook do Realidades Cabulosas dentro do Calibre. A esquerda temos os documentos do tipo texto. É ali que criamos nossos documentos HTML e começamos a editar. No meio temos o código HTML do documento, e a direita temos um preview de como vai ficar o ebook. O problema aqui, para mim, é que você pode editar exclusivamente no modo HTML. Isso significa que, ou você cria o HTML na mão, ou você importa seu documento de texto para dentro do Calibre. Mas, ao importar o documento para dentro do Calibre, tanto faz quão bem editado ele esteja, o Calibre vai criar um sem fim de regras CSS desnecessárias, que vão tornar o ebook mais suscetível a erros e falhas, além de ficar confuso e difícil de editar.

Mas então pra que mostrar o Calibre se eu tenho minhas ressalvas quanto ao seu uso? Porque é uma importante ferramenta, muito completa e sólida, e que eu inclusive utilizarei numa etapa posterior na criação do arquivo, e também porque não é tão fácil achar informações online sobre criação de ebooks, logo eu posso estar simplesmente comendo bola ou fazendo um uso errado da ferramenta. Como disse, essa é minha experiência, que foi, em grande parte, um processo de autoaprendizagem.

 

Sigil

Como enfrentei diversas dificuldades com o Calibre, procurei outra ferramente e acabei encontrando o maravilhoso Sigil. O Sigil é um software gratuito, com constantes atualizações, que provê uma interface muito mais amigável e simples para a criação de ebooks. Observe abaixo que ele também apresenta os arquivos do seu ebook do lado esquerdo, a diferença é que ele permite que você edite seus textos de forma direta, sem precisar necessariamente mexer no HTML. Ele tem ferramentas como as de editores de texto normais, permite fazer inserção de imagens e links com uso de botões, tudo muito intuitivo e prático. Isso permite que você apenas copie e cole seu texto no Sigil, sem a criação de um monte de regras CSS inúteis, e comece o processo de edição do ebook de forma muito mais limpa.

Mas, ainda assim, é preciso tomar alguns cuidados.

 

Criando um arquivo HTML

Vamos fazer a criação de um novo arquivo HTML nesse ebook para uma consideração importante. Para isso, clique na pasta Text com o botão direito e selecione a opção abaixo:

Ele vai abrir o novo arquivo no modo HTML, para ir para o modo edição basta clicar no botão destacado. Eles ficam lado a lado, o botão do livrinho vai para o modo edição, o botão <> vai para o modo HTML.

Quando abrir a tela de edição, copie seu texto nela, e você receberá essa mensagem:

Nesse momento, é tentador clicar no não, porque não colar como texto puro significa que todos seus negritos, itálicos e demais coisas já vão estar aplicados da forma como estão no arquivo original. E o texto vai ficar bonitinho no modo edição, mas dê uma olhadinha no que acontece no HTML quando copio um texto do Word:

Tá vendo a linhas que realmente tem texto ali no fim, depois de dezenas de tags descartáveis que eu trouxe do Word sem saber? É isso que os olhos não vêem, mas que faz diferença no produto final. Eu sei que o Sigil tem uma série de plugins de terceiros, e tem alguns que limpam esse tipo de coisa, mas não testei nenhum. O que eu fiz foi colar o texto puro e reaplicar os negrito e itálicos no próprio Sigil. O resultado?

A diferença é gritante. Novamente, talvez não seja o modo mais fácil e haja métodos para limpar o texto e manter a formatação original, se alguém souber de algo vamos trocar figurinhas nos comentários, e se eu descobrir também volto aqui pra contar, mas hoje em dia tenho feito desse modo.

 

Transformando seu documento Word em HTML

Depois de ter citado vários problemas que tive para transformar o arquivo Word em HTML, o Rodrigo van Kampen deixou algumas dicas nos comentários que compartilho com vocês.

A primeira opção é usar o Convert Word DOC to HTML. No site você cola seu conteúdo do Word na caixa de texto e clica no botão para converter, e ele te entrega um HTML limpo, sem tags inúteis e pronto para ser utilizado, tanto no Calibre quando no Sigil. A outra dica é usar um programa chamado Markdown Edit, que eu ainda não testei então não vou colocar printscreens. Segundo o Rodrigo basta instalar esse programa, importar seu documento Word para dentro dele, e então exportar no formato HTML, que ele também entrega um HTML bonito e limpo, pronto para você usar em seu ebook.

Essas dicas são ótimas, e eu pretendo usar tão logo for fazer meu próximo ebook, pois vai poupar um bom trabalho de não ter que reaplicar a formatação.

 

CSS e Recuo de Parágrafos

Mas agora me diga, o que você faria para colocar o recuo nos parágrafos do texto? Iria, pelo modo edição, em todos eles dando um tab? Parece a coisa mais óbvia a fazer, não é? Mas é também a mais trabalhosa, e é aí que o CSS vem para nos ajudar. Note, no print acima, que cada parágrafo está entre a tag p. Ou seja, no começo do parágrafo a tag é aberta (comando <p>) e no final ela é fechada (comando </p>). Tudo que está entre essas tags configura um parágrafo, e, depois de colar o texto no Sigil, todos os parágrafos já devem estar entre essas tags. Então, o que eu fiz foi criar uma regra CSS que afetasse todas as tags p, de modo que todos os parágrafos do ebook ficassem com o recuo automaticamente. Vamos ver como se faz?

Na barra da esquerda temos uma pasta Styles. Você pode criar um novo arquivo nela da mesma forma que fizemos antes, clicando com o botão direito. Aqui está o meu arquivo de folha de estilos:

E aqui está minha regra com nome p. Por ter esse nome, ela vai afetar automaticamente todo conteúdo que estiver entre tags p no HTML:

O CSS é basicamente isso, uma conjunto de regras, cada uma com seu nome, e, entre as chaves, temos uma sucessão de comandos que especificam aspectos do texto. Notem que nesse caso temos uma propriedade text-align, que está setada como justify. Isso significa que o texto ao qual essa regra for aplicada será justificado. A propriedade text-indent especifica o recuo do parágrafo, que eu defini como 28.4 pt (pt é uma medida de tamanho, mas o comando também aceitaria cm, de centímetros, ou px, de pixels).

Tá legal, a regrinha está pronta, quer dizer que o texto lá no arquivo HTML já está certo? Bom, quase. O negócio é que a regra que criamos e o HTML ainda não tem relação entre eles, é preciso ir no HTML e fazer um link entre ele e a regra para que ele assuma as características que queremos. O comando que estabelece o link é colocado dentro da tag head, e fica desse jeito:

Notem que o link foi estabelecido com o arquivo stylesheet.css, que está dentro da pasta Styles, que está dentro do projeto principal, e o type especifica o tipo desse link, que é text/css. Depois disso voltamos para o modo de edição e a mágica já aconteceu:

A partir daí, para cada arquivo HTML que você criar no ebook, basta linkar essa regra para que o texto fique formatado seguindo esse padrão de parágrafo. Quer mudar alguma coisa na formatação geral dos parágrafos de todo ebook? Basta alterar a regra e já ficará tudo certo automaticamente!

 

Regra CSS para separadores

Um problema que enfrentei ao aplicar a regra de CSS dos parágrafos foram os separadores. Alguns contos são separados em partes e tem uma divisão feita com os três bolinhas, dessa forma:

• • •

Essas três bolinhas obviamente precisam ficar centralizadas, mas, quando copiei o ebook para o Sigil, elas também foram colocadas como parágrafos, entre tags p, e logo assumiram a formatação da regra CSS. Como vocês podem imaginar elas acabaram não ficando centralizadas, mas sim levemente deslocadas para a direita. E agora, como resolver?

Bom, para começar eu criei uma nova regra chamada division e a configurei da forma abaixo. Notem que ela está alinhada ao centro e sem especificação de recuo, do jeito que eu precisava que as bolinhas ficassem:

Em seguida fiz o trabalho de ir atrás de todas as divisões de contos nos arquivos HTML, remover elas das tags p e colocar numa tag div, que apenas especifica uma divisão lógica dentro do HTML, e definir que aquela tag usaria a regra division criada anteriormente. Vejam abaixo como ficou isso no HTML (o comando para especificar a regra a ser usada é o class):

E pronto, eu tinha todas minhas divisões devidamente centralizadas! Deu um trabalinho mas ficou tudo ligado ao CSS, de forma que qualquer alteração que eu quissesse fazer depois era só mexer na regra. Em resumo, dentro desse esquema de regras que eu criei, as coisas que não devem ter recuo precisam ficar fora da tag p, e, para ficar tudo bem organizado, achei legal fazer outra regra para cuidar desse caso.

Isso, basicamente, é CSS. A partir daí dá pra fazer muita coisa, basta pesquisar as propriedades CSS existentes e sair criando as regras que melhor atendam às suas necessidades. O CSS é uma poderosa ferramenta que, aliada ao HTML, nos fornece muitos recursos para a criação de ebooks.

 

Fontes

No ebook do Realidades Cabulosas queríamos muito usar uma fonte diferente para os títulos dos contos, mas, quando comecei a mexer com ebooks, tive uma série de problemas com fontes. É possível incluir fontes no seu arquivo ebook. Você importa as fontes para dentro do ebook, e pode especificar via regras CSS quais partes do texto usam qual fonte específica. Mas, o que eu aprendi é que isso não é legal, por uma série de motivos:

  • eBooks permitem ao usuário a escolha da fonte em que quer ler. Forçar a fonte de um texto para a que você prefere não é uma boa prática pois fere essa liberdade do formato. Quando se trata apenas do nome do capítulo eu não vejo problemas, mas forçar fontes diferentes para personagens distintos ou para citações não é legal;
  • A fonte nunca vai funcionar de forma apropriada no Kindle. Tem duas formas de você mandar seu arquivo Mobi convertido para o Kindle, e as duas tem problemas:
    • Via cabo: antes, mesmo enviando o arquivo pelo cabo, A Amazon só mostrava a fonte que você escolheu se o usuário selecionasse a opção “Fonte da Editora”. Hoje essa opção parece ter sumido, então não tem mesmo o que fazer;
    • Via e-mail do Kindle: quando você manda pelo e-mail do Kindle a Amazon não faz simplesmente o papel de garoto de recados, pegando o arquivo e colocando no seu aparelho. Na verdade, seu arquivo passa por processamentos que ninguém sabe exatamente como funcionam. O que importa aqui é que, nesse processamento, suas fontes são eliminadas. Simples assim.

Em resumo, lidar com fontes não é legal e não é funcional. Talvez funcione no ePub, mas existe uma gama imensa de programas para ler ePubs, e o que eu noto é que alguns deles também não lidam bem com esse tipo de coisa. Assim sendo, criamos uma imagem com o título dos capítulos, e fala sério, ficou bonitão:

 

Imagens

Mas como colocamos a imagem lá? Simples, é só ir na pasta Images e subir o arquivo do seu computador para o projeto do ebook com o botão abaixo. Observe as várias imagens que temos dentro da pasta:

Para adicionar no HTML é ainda mais fácil, o Sigil tem um botão de inserir imagem facilmente identificável, e quando você clica nele, a janela abaixo é exibida. Nela você tem todas as imagens já importadas para seu projeto, é só selecionar a desejada e clicar em Ok:

 

Índice ativo

Em eBooks, você pode ou não criar uma página de índice. Eu não costumo criar, mas de uma forma ou de outra é essencial que você crie um índice ativo. O índice ativo é aquele índice que você acessa, no Kindle ou no seu leitor de escolha, a partir de qualquer ponto do livro, que te permite ver o índice sem sair do ponto em que você está no ebook. É o único índice que eu costumo usar, enquanto leitor.

O índice ativo é definido pelo arquivo toc.ncx. Esse arquivo é criado automaticamente quando você inicia um projeto. Dentro dele você tem a tag navMap, que é a definição do seu menu. Dentro dela você terá diversas tags navPoint, que são os itens do seu menu. Cada navPoint terá um navLabel, que é o nome do item no seu menu, e uma content, que é um link para o arquivo HTML que se refere ao item do menu. É importante também definir corretamente as propriedades id e playOrder do navPoint. No exemplo abaixo tudo fica mais claro:

Na imagem temos três itens no menu, Capa, Prefácio e o conto Memento more com Fernet. Fica claro onde são definidos os nomes dos itens no índice, e a tag content que traz o link para o HTML correspondente. Basta colocar Text/Nomedoarquivo.xhtml. Notem também como os ids progridem de forma crescente (navPoint-1, navPoint-2, …), assim como o playOrder (1, 2, 3, …). É preciso fazer isso para todos os itens que você deseja que apareçam no índice ativo, tomando cuidado para que os nomes dos arquivos HTML estejam corretos, caso contrário o menu apresentará erros.

Com isso, também deve ter ficado evidente o porque cada capítulo do seu livro, ou cada conto da sua antologia, devem ficar em arquivos HTML separados. Além de ficar mais organizado, é essencial para a criação do menu. Basicamente mantenha cada coisa em um arquivo, sempre na ordem correta: Capa, folha de rosto, prefácio, capítulo 1, etc.

 

Capa

Para colocar sua imagem de capa no ebook de modo que ela apareça nos leitores, é preciso criar um arquivo HTML específico, mais ou menos como o abaixo. Preste atenção especial aos locais destacados, onde estão as dimensões de sua imagem e o link, dentro do projeto, para o arquivo dela. Lembrando que você sempre pode pegar o Realidades Cabulosas em ePub e abrir no Sigil para ver como foi feito e copiar coisas.

Uma observação importante a respeito de capa de ebooks no Kindle: quando você coloca seu arquivo Mobi no Kindle via cabo, a capa deve aparecer normalmente, porém, quando o arquivo é enviado pelo e-mail Kindle a Amazon vai remover sua capa do ebook. Ela vai aparecer quando você abre o ebook, mas na miniatura que fica na sua biblioteca ou na tela inicial, a capa não vai aparecer. Porque a Amazon faz isso é uma coisa que muita gente gostaria de saber.

 

UUID

O UUID é um ID único que identifica seu ebook. É necessário que você informe esse identificador dentro de dois arquivos, o content.opf e o toc.ncx. Esse identificador pode ser o ISBN da publicação, caso possua. No meu caso, como não temos ISBN, usamos o UUID Generator Tool para gerar um ID único. Quando criamos um ebook no Sigil ele já vem com um ID, mas não sei o método que ele é gerado, então prefiro substituir pelo UUID versão 4 do Generator. Abaixo os locais nos arquivos onde o UUID precisa ser alterado:

Arquivo content.opf:

Arquivo toc.ncx:

Estamos quase terminando, mas lembra que lá no começo eu disse que ainda voltaríamos ao Calibre? Pois é, chegou a hora.

 

Hifenização

Hifenização é essencial para que o ebooks não fiquem bagunçados, com aquela linha metade em branco porque tinha uma palavra longa demais que não foi hifenizada. Porque não; o seu leitor de escolha não vai hifenizar seu ebook automaticamente, ele já precisa estar preparado de maneira adequada para que isso aconteça.

É ai que entra o Calibre, mas não iremos nem mesmo usar a função de edição dele. O que precisamos nesse caso é um plugin do Calibre chamado Hiphenate This! que aplica a hifenização no ebook. Para instalar esse plugin no Calibre é preciso ir em preferências, onde há uma opção para pesquisar plugins:

Na janela que abrir você irá pesquisar pelo Hyphenate This! e mandar iniciar a instalação. O plugin será instalado, mas ainda precisamos fazer algumas configurações.

Para que o plugin saiba como fazer a hifenização de maneira correta, ele precisa ter um dicionário de português (ou da língua na qual você escreveu sua obra). Para configurar isso, é preciso acessar o novo botão do Hyphenate This! que deve ter aparecido no seu Calibre e ir em configurações:

Uma vez em configurações, a janela abaixo vai ser aberta. Ela tem um link para o site do LibreOffice, onde você poderá baixar o download do dicionário de português brasileiro a ser utilizado. Um vez feito o download, é preciso clicar no botão add dictionary e selecionar, no seu computador, o arquivo que foi baixado. Assim ele será adicionado ao seu Calibre. Há ainda um campo que especifica o tamanho mínimo de palavras a ser hifenizada. No caso do print está configurado para não hifenizar as palavras com menos de 5 caracteres.

Depois disso tudo estamos finalmente prontos para hifenizar o livro. Primeiro você precisa adicionar o ePub à biblioteca do Calibre, e depois basta selecionar o livro e clicar no botão do Hyphenate This! A janela abaixo vai abrir pedindo para selecionar o formato a ser hifenizado, que, obviamente, é o ePub que acabamos de criar.

Depois de dar Ok, o processo irá começar. Na barra de status do Calibre, no canto inferior direito, é possível acompanhar o andamento da tarefa. Quando ela finalizar, seu ePub está devidamente hifenizado!

Vale lembra que, ao adicionar o ePub no Calibre, é criada uma cópia dele dentro da pasta da Biblioteca do Calibre no seu computador. É essa cópia que foi hifenizada, portanto, daqui para frente, você precisa usar esse novo arquivo ePub, e não o seu original.

 

Conversão para Mobi

Enfim terminamos o nosso ePub, e estamos chegando ao final da criação dos nossos eBooks, mas ainda precisamos gerar o arquivo Mobi, que se destina à leitura nos dispositivos Kindle. Para isso, vamos utilizar o Kindle Previewer, que é uma ferramente da Amazon que permite a visualização de como um arquivo será exibido nos dispositivos Kindle. O lance é que, quando carregamos um ePub no Kindle Previewer, ele vai automaticamente gerar um arquivo Mobi a partir do ePub, que é exatamente o que precisamos.

Quando o Kindle Previewer é aberto, ele exibe duas janelas. Na da esquerda você pode configurar qual dispositivo deseja simular, e a da direita é a tela do dispositivo sendo simulado. Geralmente eu seleciono na da esquerda a opção Kindle E-reader.

Para começar a conversão, clicamos no botão redondo no canto superior esquerda da tela do simulador e vamos na opção Open Book, aí basta localizar seu ePub e o programa na mesma hora vai começar a conversão.

Enquanto o ebook é convertido, essa mensagem fica na tela:

Ao final do processo o ebook é aberto, e você pode navegar por ele a vontade e testar o índice, por exemplo:

Agora só falta salvar nosso arquivo Mobi. Para isso clicamos novamento no menu do simulador e vamos em File e, em seguida, em Export, e selecionamos onde o ebook será salvo.

Prontinho! Já temos o arquivo ePub e o Mobi, convertido através do Kindle Previewer. Foi uma longa jornada, mas depois disso tudo já temos os arquivos do livro prontos para disponibilizar aos leitores!

Se você faz alguma etapa de outra forma ou tem dicas a dar ou considerações a fazer, por favor escreva nos comentários. Compartilho o que aprendi por ter encontrado pouco material mais didático a respeito, mas gostaria muito de saber como vocês, que já criam seus ebooks, fazem as coisas, para trocarmos experiências.

Até mais!


Also published on Medium.

Published inTutorial
  • rodrigovk

    Cara, ótimo artigo!
    Só acrescentaria uma coisa: existe um jeito sim de converter do Word para uma formatação bacana sem perder os itálicos. Alguns modos, aliás.
    O mais simples, que eu utilizava, era este site aqui:
    https://www.textfixer.com/html/convert-word-to-html.php

    Agora o que eu faço é importar o Docx no MarkdownEdit e exportar como html, que ele sai um html limpinho, perfeito. 😉

    Ah, e não gosto de imagens como títulos, porque em alguns aparelhos do Kindle mais antigos nem sempre elas aparecem de um jeito bacana. Mas dá para colocar como redundância, a imagem e o texto.

  • http://www.lucasferraz.com Lucas Rafael Ferraz

    Puxa que informações legais!
    Com sua licença vou replicar no artigo te creditando, ok?

    Obrigado!
    =D