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Como saber se você está sendo enganado, por Neil Gaiman (e umas coisinhas mais)

Resolvi reativar esse abandonado e tristonho blog para dar meus cinco centavos sobre um assunto que pegou fogo nos últimos dias: pagar para publicar vale a pena? (Spoiler: não). Mas na verdade “meus” cinco centavos são duas indicações de textos e uma tradução livre que arrisquei, de ninguém mais ninguém menos que ele, sr. Neil Gaiman!

O primeiro texto que vou linkar aqui é da Soraya Coelho e dá ótimas dicas do que fazer se você tem algum dinheiro pra investir em sua escrita, ao invés de pagar para alguma editora qualquer publicar um conto seu, além de diversos conteúdos online que são ótimos e de graça!  —> Tenho 300 reais e quero ser escritor. O que fazer?

O segundo texto é da Cláudia Dugim e trata de temas como auto publicação, financimento coletivo e a famigerada Vanity Press, e também é uma leitura indispensável se você já considerou investir seu rico dinheirinho em algo do gênero:  —> Auto Publicação, Vanity Press, E-books, Financiamento Coletivo

Minha última indicação é o texto do Neil Gaiman que citei acima. Ele postou esse texto em seu Tumblr alguns anos atrás depois de saber da história de uma escritora iniciante que sofreu na mão de uma editora picareta. Se você se vira bem com inglês recomendo a leitura do original no link a seguir, abaixo eu arrisquei uma tradução livre (me avisem se eu cometi alguma barbaridade ou se poderia melhorar algo 🙂 ) —> For Novice Writers: the quick test for Are You Being Scammed Or Not…

Para Escritores Iniciantes: o rápido teste para saber se Você Está Sendo Enganado ou Não…

Hoje eu li um triste caso sobre uma jovem escritora que teve sua história reescrita até ficar incompreensível por uma auto denominada editora, que depois foi rude com ela por e-mail quando ela escreveu para reclamar. Ela não estava sendo paga por sua história – ao invés disso ela estava comprando cópias da antologia para mostrar às pessoas que ela tinha vendido uma história. Então eu pensei, é hora de relembrar o mundo, e esclarecer os jovens escritores, sobre…

A Lei de Yog:

O dinheiro flui no sentido do escritor.
É só isso. Todos escritores deveriam se lembrar disso.

Quando uma editora contrata um livro, ela pagará um adiantamento de direitos autorais ao escritor. O dinheiro flui no sentido do escritor.

Agentes literários ganham a vida cobrando comissões entre 10 e 20% sobre as vendas que fazem em nome de seus clientes, os escritores. Quando adiantamentos e diretos autorais são pagos pelas editoras a porcentagem do agente é filtrada em direção ao agente do escritor mas o grosso do dinheiro ainda flui no sentido do escritor.

Se uma editora alguma vez pedir qualquer tipo de contribuição financeira a um escritor, eles estão tentando desviar o dinheiro para longe do escritor, em direta contravenção à Lei de Yog.

Se um agente alguma vez pedir adiantamentos, independente de como os chame (taxas de leitura, custos de administração, taxas de processo ou entradas), então eles estão tentando desviar o dinheiro para longe do escritor, em direta contraversão à Lei de Yog.

É uma regra brilhantemente simples. Nós devíamos agradecer James D Macdonald por isso da melhor maneira possível. Comprando seus livros.

O dinheiro flui no sentido do escritor.

Não, isso não significa que o autor deveria conseguir papel e tinta de graça, ou que ele não pagará por postagens nos Correios. Isso significa que quando alguém aparecer e dizer, “Claro, meu jovem, você pode ser um Autor Publicado! Irá te custar apenas $300!” o escritor saberá que algo está errado. Uma taxa é uma taxa que é uma taxa, não importa se chamarem de taxa de leitura, taxa de marketing, taxa de divulgação ou taxa de biscoito água e sal.

A lei é perfeita? Não. Golpistas inventaram alguns modos elaborados para evitar de caírem nela. Mas ainda assim é uma ferramenta útil, e que evitará muitos arrependimentos. Todas as vezes que um agente ou editora pedir dinheiro, a resposta deve ser “Não!”

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Also published on Medium.

Published inOpinião
  • Juliete Vasconcelos Simões

    Lucas li sua tradução e agora vou ler os outros 2 textos indicados por você. Excelente posta, obrigada. Bjs

  • Tiago Cabral

    Uma pena que isso seja completamente oposto a realidade do escritor brasileiro que precisa ser editor, ilustrador, revisor e vendedor. Ou então pagar furtunas pra ser publicado. No Brasil os agentes cobram até pra avaliar a sua obra e qualquer editora séria que se preze nem responde seus e-mails.