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Votos, Eventos e Leituras

Alguns votos precisam ser renovados. Isso não se aplica aos dados a políticos, que em caso de arrependimentos devem ser apenas trocados sem receio nem remorso. Mas deve ser aplicado nos de casamento, por exemplo, e em outros menos sérios, ou melhor, aqueles que levamos a sério apenas durante algumas semanas após serem feitos, no início de cada ano. Mais do que falta de disciplina, os imprevistos da vida, como uma rasteira no emprego, podem desestabilizar o cumprimento das metas.

Foi o que me aconteceu. Um começo de ano animado, um mês de fevereiro arrastado e quase todo um mês de março  totalmente desperdiçado. Dentro de casa, o que é ainda pior. O tempo nunca se faz presente, e quando vem traz colegas como a apatia e o desânimo, que tornam o mero tentar produzir em um exercício de golpes em ponta de facas. É hora de renovar aqueles votos, mais do que uma tradição sem consequência, uma representação verdadeira de atividades que sei me serem construtivas. Começando por esse post.

 

No dia 05 de março estive no evento Bate Papo Literário – Ato 2: Ficção Científica, organizado pelo pessoal do Who’s Geek (se não conhece o canal deles no Youtube, não perca tempo e clique aqui). O evento foi composto por duas mesas, a primeira indagava “O que é Ficção Científica?”, pergunta respondida pela jornalista Cláudia Fusco, pelo escritor Eric Novello e pelo editor da Aleph, Daniel Lameira. A segunda mesa tratou do tema “As Mulheres na Ficção Científica”, e foi composta pela tradutora Ludimila Hashimoto, pela escritora Finisia Fideli, e pela blogueira e escritora Lady Sybylla.

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Da esquerda para a direita: Roberto Fideli (Who’s Geek), Lady Sybylla, Gabriela Colicigno (Who’s Geek), Eric Novello, Ludimila Hashimoto, Finisia Fideli e Claudia Fusco.

Além da qualidade absurda das mesas e das discussões, esse foi o e evento em que conheci pessoalmente muita gente que só conhecia da internet, como a Lady Sybylla, do blog Momentum Saga e o pessoal da Revista Trasgo, o editor Rodrigo Van Kampen e meu parceiro na revisão, Thiago Toste, isso além de reencontrar alguns amigos e conhecer mais gente nova, parceiros de escrita e colaboradores do Leitor Cabuloso. Não vou nomear todos para não esquecer de ninguém, mas foi um dia deveras memorável, no qual, eu, burro, não tirei sequer uma fotografia. Além de tudo ganhei um livro, e entre as diversas opções de ficção científica, escolhi um deslocado (ou nem tanto?) Ensaio Sobre a Cegueira. Passou da hora de ler Saramago.

 

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Capa de Holy Cow: Uma Fábula Animal, de David Duchovny

E se em janeiro eu li 10 livros, até o momento só finalizei outros dois. O primeiro foi Holy Cow: Uma Fábula Animal, de David Duchovny (sim, o Mulder de Arquivo X).  Holy Cow é uma leitura leve e rápida. Às vezes a história é engraçada, mas ri muitos menos do que o esperado. As críticas e piadas do David são, em geral, previsíveis, e algumas já bastante batidas. Uma tentativa honesta de um livro de humor nonsense britânico, mas que deixou bastante a desejar.

O segundo livro foi uma releitura que eu já vinha querendo fazer há algum tempo, o livro Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, do Eric Novello. Eu o li pela primeira vez em 2014, tendo comprado com o Eric na Bienal. Foi uma leitura um tanto frenética na época, porque a história é bastante envolvente, e eu queria reler de cabeça fria e com mais calma. À minha vontade juntou-se o convite do Rodrigo Basso do Covil de Livros para gravar um episódio sobre o livro, o qual aceitei. (Já existe um Drone Saltitante com minha participação sobre essa obra, veja aqui)

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Capa de Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, de Eric Novello

A releitura foi muito interessante. O texto do Eric dispensa comentários, é muito bom mesmo, e esse é um livro que se beneficia demais de uma segunda leitura para entender melhor suas reentrâncias e mistérios. A trama é muito bem construída e tudo acontece de forma natural e com ótimo ritmo e andamento. Ele te entrega o suficiente, deixa espaço pra conjecturar. Gosto de histórias que terminam com espaço para especulações mais do que daquelas que amarram cada pontinha.

Estou também fazendo uma leitura de não-ficção, mas essa terá um post específico quando terminar o primeiro volume. Trata-se dos livros sobre a Ditadura Militar de Elio Gaspari. Com todo esse clima de polarização pelo qual passamos e a instabilidade do cenário político eu quis entender melhor nossa história recente, e esses livros me pareceram uma ótima pedida para tanto, e tem se provado uma boa leitura até então.

 

Finalizo essa retomada dos votos de 2016 na esperança de as coisas se tranquilizem, e, mesmo se não ficarem tão tranquilas, que eu consiga ir aos poucos não deixando que eles (os votos) morram. É uma contenda sem fim, mas afinal de contas, o que na nossa vida não o é?

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Published inRelatoResenha