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Sobre 2016 e a Arte da Nomenclatura de Embarcações

Passou Natal, passou ano novo, dia 25 de dezembro e dia 01 de janeiro caindo em sexta-feira, melhor impossível! Passou peru, tender com abacaxi, arroz com passas e maionese com maçã, para minha alegria e desespero de muitos. Passou reunião com família, passou descanso, passou relaxamento. Começa um novo ano.

2015 não foi um ano legal pra mim. Por motivos de trabalho, de stress e de retroalimentar o que aconteceu de ruim com expectativa de mais aborrecimentos. Sim, sempre temos nossa parcela de culpa, especialmente em situação de longa duração, por tornar pior o que já não está legal. O grande problema foi que dei o nome errado ao meu barco.

Sabe, nomear um barco é uma arte. Eu nem mesmo nunca entrei em um barco, nunca estive em alto-mar, mas você já viu um barco chamado Tristeza das Ondas? Que tal Melancolia Serena? Claro que não! Nomes de barcos são cheios de positividades, pra cima, nomes de situações de paz e tranquilidade, nomes de pessoas que os donos dos barcos amam, nomes que inspiram alegria. Claro que há os nomes que guardam mais do que revelam, mas não quero falar sobre Dexter. Me lembrar do final dessa série ainda me deprime.

Ok, mas porque estou perdendo seu tempo falando sobre nomes de barcos? Bom, tem tudo a ver com o renomado escritor russo Nikolai Gogol. Reza a landa que Gogol morreu virgem, nunca teve um caso, um amor, um xamego, nunca recebeu nem mesmo as carícias de uma mulher que vendesse seus serviços em um prostíbulo qualquer. Devido a Gogol nunca ter ido a um bordel, como forma de homenagem e talvez para colocar ao menos o nome do escritor mais próximo dos prazeres da carne, o ucraniano Eugene Hütz nomeou sua banda de punk cigano como Gogol Bordello.

Após anos de estrada, Eugene escreveu uma música chamada It’s The Way You Name Your Ship, ou, em bom português, O Modo Como Você Nomeia Seu Barco. A música diz que o seu barco navega conforme o nome que você lhe dá. Se você tiver um papagaio é ainda pior, pois você ensina seu papagaio a tagarelar e fica escravizado pela sua falação. Tudo a mais pura verdade. Esse ano esvaziei minha garrafa de champagne à meia noite, esmigalhei-a no casco do barquinho e lhe dei um novo nome. Yoda.

Calma, não é por causa da vibe de Star Wars, não.  É devido a uma das frases mais célebres do mestre verdinho: “Do. Or do not. There is no try” ou, na língua mãe: “Faça. Ou não faça. Não há tentativa”. Bom, não é só pela frase. Yoda é sereno. Ele não se revolta contra as intempéries da vida. Ele não esquenta a cabeça com coisas que não pode resolver. Ele faz o melhor com o que tem e mantém a serenidade, coisa que me faltou ano passado. Essa falta de serenidade em certas esferas me fez planejar demais na esfera criativa.

E o que é um plano que não se concretiza? Uma mera sombra do que poderia ter sido, um fantasma nunca encarnado, um joia nunca lapidada, nunca nem extraída do veio de minério. Um plano é um potencial que enquanto permanecer dormente será só mais uma frustração. Esse ano eu não vou tentar. Eu farei. 2016 é o meu ano do fazer. Espero que seja assim para todos que estiverem lendo também.

Estamos no dia 04 e eu:

  • Li dois livros;
  • Dei o pontapé inicial num projeto (que era um plano);
  • Revisei e dei pitacos em 5 contos;
  • Escrevi esse post;

Minha missão daqui pra frente é sentar em frente a esse computador e fazer algo todo santo dia desses 366 que teremos nesse ano. E se bater o desânimo, se eu fraquejar e se começar a lamentar sobre a vida… bom, eu sempre posso escutar um punk cigano, ler um autor russo e ver um filme de space opera para reacender esse estado de espírito. Ah, e ficar longe de Dexter, porque olha…

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Published inOpinião