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Eu e os eReaders

Há muitos anos atrás eu lia no computador. Pegava os livros e lia na tela brilhante, incômoda, e com a postura toda errada. Era um sofrimento! Quando ouvi falar pela primeira vez de uma tecnologia chamada eInk fiquei maravilhado, não via a hora de ter um aparelho com aquele tipo de tela que parecia papel. A própria noção de uma tela que parece papel e cuja tinta eletrônica forma as letras era, e até certo ponto ainda é, algo mágico.

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Sony PRS-600. O meio da mancha é onde a tela foi pressionada.

Mas, aqui no Brasil, tudo isso era totalmente desconhecido para o grande público. Meu primeiro aparelho, sob recomendação de uma amiga, acabou sendo um Sony PRS-600, comprado no Mercado Livre, e pelo qual paguei os olhos da cara. Eu o comprei em 2010, e a reação das pessoas quanto a ele era no mínimo engraçada. Meu chefe da época tirava sarro porque paguei caro em um aparelho “pra ler PDF”, pra vocês verem como não se sabia quase nada a respeito do assunto naqueles tempos. ePub? Mobi? Que é isso?

O Sony PRS-600 era tão legal, macio ao toque, bonito, mas pesado pra caramba e a tela era um tanto reflexiva, mas para mim não podia existir nada melhor no mundo. Infelizmente, viveu uma vida curta, morreu acho que uns 5 meses depois de chegar, quando o coloquei, sem capa protetora, numa mochila super lotada, tela virada para dentro. Seu algoz foi o cabo do guarda-chuva que pressionou a tela e quebrou a cama eInk. Foi a primeira vez que vi os temidos riscos de tela quebrada. Tão doloroso quanto ficar sem um eReader depois de ter me acostumado foi continuar pagando algo inútil.

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Kindle Keyboard

Um ano depois, no segundo semestre de 2011, um amigo viajou para os EUA e me trouxe um Kindle 3, aquele com teclado físico. Nesse paguei bem mais barato, e gostei muito do aparelho, bem mais leve que o Sony e a tela muito superior. Li demais nesse Kindle, demais mesmo, tanto que enjoei um pouco de ler, pode isso? Mas na verdade eu passei por um período de muita leitura de quadrinhos, de modo que deixei o Kindle com meu pai. Foi quando houve então um acidente e o Kindle foi ao chão.

Foi a segunda, e eu espero, última vez, que vi a temível face de uma tela de eInk quebrada. O mais irônico talvez seja que eu tinha uma imagem do Guia do Mochileiro das Galáxias como protetor de tela no Kindle, e até hoje é possível ver um apagado “Don’t Panic” sob os riscos da tela quebrada.

A esse acidente seguiu-se um longo e tenebroso inverso de quase um ano sem leitura digital. Eu trabalhava na Avenida Paulista bem em frente à FNAC e acabei comprando muitos livros por lá. Já estava cansado daquilo, até que em dezembro de 2012 descobri que a Cultura iria lançar o Kobo por aqui. No dia do lançamento do tal Kobo, saí mais cedo do trabalho, fui correndo ao Conjunto Nacional e comprei o bicho. Junto peguei uma capinha de couro para protege-lo melhor do que os anteriores e evitar o mesmo fim. O resultado é que acredito ter lido mais do Kobo do que no resto da vida toda!

Kobo Touch na capa do Lev
Kobo Touch na capa do Lev

Ele me acompanha desde então, é o modelo Touch, sem iluminação, humildão mesmo, mas me atende perfeitamente (até porque no escuro eu leria 3 minutos, mais ou menos, antes de cochilar), e não pretendo trocá-lo tão cedo. eReaders não mudam tanto, não tem muita funcionalidade nos mais novos que me atraiam, o único avanço é mesmo a iluminação. Ok, página virando mais rápido é bom, mas não é essencial. E resolução de tela em eReader é algo que considero de importância pífia.

O último capítulo dessa história é que a capa do Kobo já estava um pouco batida, de forma que resolvi comprar outra. As da Cultura não me atraíram, e não há como testá-las, pois são todas lacradas, de forma que foi olhar na Saraiva, que vende o eReader Lev. Eu particularmente não gostei muito do Lev, soube que ele tem certas limitações e não gostei do aparelho em si. Lá fora ele se chama Cybook. Mas as capas da Saraiva são ótimas! Então lá estava eu, no estande do Lev no meio da Saraiva provando se cabia meu Kobo! E não é que serviu? E ficou ótimo!

Até o momento essa é minha trajetória com eReaders. Não pretendo trocar, a não ser que o Kobo sofra algum acidente, ou quando a bateria não segurar mais carga (e se não tiver como trocá-la). Às vezes a Amazon tem preços melhores de eBooks, mas sempre dá para baixar o arquivo de lá, converter e jogar no Kobo. Ainda assim, se for trocar um dia, vou pegar um Kindle, mas apenas por causa dos preços e acervo da Amazon, pois o aparelho é fenomenal.

Quanto ao Kindle, talvez ganhe nova vida como um porta retratos, vamos ver no que dá!

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Published inRelato