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Opiniões sobre o podcast Ghost Writer #55 e a Precificação de eBooks

Hoje foi lançado o episódio #55 do podcast de literatura Ghost Writer, que já recomendei aqui no blog em um post sobre podcasts literários. O episódio, que é a primeira parte de duas*, trata sobre o  mercado de e-books do Brasil, e nele Herdy e Modena conversam com Sérgio França, editor de eBooks da Editora Record, Laudelino Lima, Gerente Geral de Tecnologia da Editora Record e Eduardo Spohr.

* Vide #Edit 3 no final do texto para obervações sobre a parte dois do podcast.

O episódio foi uma audição muito interessante, mas falhou em esclarecer várias questões  e dúvidas que há muito tempo rondam o mercado nacional de eBooks. Resolvi escrever esse texto para analisar alguns pontos citados no episódio que me incomodaram ou que senti que não foram completamente esclarecidos. Importante notar que essa não é uma  crítica ao Ghost Writer, que mandou bem em conseguir entrevistar o pessoal da Record, nem ao Herdy, que conduziu bem a conversa, mas sim à certas opiniões e posicionamentos dos convidados da editora. Antes de entrar nessa análise, creio que cabe aqui um disclaimer: eu sou um Engenheiro de Computação que atua como Consultor de TI, portanto nunca tive nenhum contato com os meandros da indústria editorial. Falo como um leitor inveterado, amante de literatura e entusiasta de eBooks, que nutre muitas dúvidas e ainda não escutou uma explicação satisfatório de pessoas ligadas ao mercado editoral.

Abaixo levanto alguns tópicos e comento o que foi dito a respeito:

  • O eBook é um complemento ao livro físico
    • Discordo. eBooks são, para mim, um formato completamente autossuficiente, que nada devem aos livros físicos. Um modo totalmente independente de apreciar uma boa leitura.
  • Como é que pode o cara abrir mão do conteúdo por causa da plataforma?
    • Pode sim, e eu inclusive faço isso com frequência. Eu evito ler livros físicos o máximo que posso. Depois de se acostumar a um eReader, não há retorno. O peso, a praticidade, a facilidade, tudo é incomparável. Mas, é claro, não precisa haver radicalismo. Eu não rejeitaria um livro físico oferecido de presente, e não acredito que alguém que faz isso possa ser usado como exemplo, pois é um caso de radicalismo bastante extremo.
  • O que um deficiente visual acha da discussão entre eBook e livro impresso?
    • Eu garanto que acha uma discussão muito relevante, e que também quer ter eBooks com preços mais justos. Mesmo que o mercado de Audio Books no Brasil fosse grande, a produção de um Audio Book demora muito mais do que para se ter um eBook pronto, logo, até mesmo para um deficiente visual, um eBook bem feito e com preço justo é de grande importância. Já o livro físico sim não lhe é de importância alguma.
    • Vide Edit #1 no final do texto para mais informações no assunto de deficientes visuais.
  • Muitos leitores querem que o livro digital tenha um preço muito pequeno, quase irrelevante
    • Olha, eu tenho participado bastante ativamento de várias comunidades de leitores de eBooks, e de várias discussões sobre o assunto, e nunca encontrei alguém que quisesse que eBooks fossem vendidos a preços irrelevantes. Não acredito que ninguém espere que os livros custem menos de R$ 10,00, e vou além, não acredito que o valor de R$ 10,00 pareça justo para essas pessoas. É muito barato, talvez possa ser esperado em promoções, mas não como preço de capa. O grande problema é encontrar eBooks a R$ 30,00, R$ 35,00, R$ 40,00 ou até mais. E não é raro encontrar publicações até mais caras que isso.
  • Temos muito poucos leitores de livros, sejam impressos ou digitais
    • De fato. O que me incomoda é como a indústria editorial parece não procurar novos meios de expandir esse público leitor. É como se trabalhasse apenas para fidelizar e manter esse mesmo público, porque, convenhamos, livros não vão virar produto de consumo de massa com os preços praticados hoje em dia.
    • Como pretendemos que pessoas que ganham um ou dois salários mínimos passem a comprar livros de forma regular se os preços são altos, e nem mesmo nos eBooks as pessoas conseguem obter a um preço razoável? Mesmo que muitas dessas pessoas não estejam dispostas a comprar um eReader, muita gente hoje já tem smartphones que lhes são satisfatórios para ler, mas não estão dispostos a pagar caro desse jeito em eBooks, pois não gastam esse tipo de grana nem com cinema, nem com música.
    • A expansão do público leitor passa por esse ponto fundamental. Em outro ponto do programa é dito que se o público aumentar o preço cai, mas, como eu coloquei, se o preço não cair antes o público não aumenta. Percebem o ciclo vicioso em que nos encontramos?
    • Cada brasileiro compra em média 4 livros, e tirando os de escola sobra 1,5 de literatura. Esse é o modo como é exemplificado o mercado consumidor do Brasil, então, novamente, porque não tomar esforços para popularizar a leitura? Vendendo eBook mais em conta e até fazendo formatos de bolso, seriam algumas opções. Mas livros de bolso infelizmente só temos o clássicos da LP&M, nada de coisas novas.
  • Custos envolvidos na produção do livro: Adiantamento do autor, tradutor, editor, copidesque, revisores, designer, capista e marketing
    • De fato há muitos custos envolvidos na produção de um livro. Mas eu fiquei com muitas dúvidas a respeito disso. Quantos dos profissionais são funcionários CLT das editoras, e portanto contabilizados no custo fixo da mesma, tendo seu custo mensal dividido entre todas as publicações da casa?
    • Qual o real valor que se paga para um tradutor, um capista, um revisor freelancer, e qual o real impacto que isso tem no preço final? Se esses custos realmente fazem uma diferença tão grande, o que explica o preço dos livros com várias tiragens não caia, ainda que o custo de toda essa gente já tenha sido, em teoria, quitado?
  • eBooks não tem custo de impressão, logística e armazenamento, mas todos os profissionais envolvidos explicam a diferença do preço de um eBook de editora em relação ao eBook de um autor auto-publicado
    • Esse ponto foi bastante frustrante. Quando chegamos a um ponto vital da conversa, onde eu esperava que houvesse uma explicação para os custos que vemos como os maiores na etapa produtiva do livro, que são de impressão, distribuição e armazenamento (foi dito no episódio que é caro ter livros encalhados em estoque, porque estoque é caro), o convidado não explicou a questão, e ao invés de comparar eBooks com livros físicos, passou a comparar os preços de eBooks de editoras com os de autores auto-publicados. A diferença nesse segundo caso é óbvia, já no primeiro é um mistério cuja oportunidade de esclarecer foi tristemente perdida.
  • Preço de eBook do Brasil e EUA é diferente em parte devido aos impostos do governo brasileiro.
    • Realmente não tenho a menor dúvida disso. Porém, o grande problema é que a diferença ainda assim é grande demais para ser explicada apenas por isso. São inúmeros os casos que já vi nos últimos meses de eBooks brasileiros com preços iguais ou superiores a eBooks estrangeiros vendidos no Brasil. Como isso pode ser explicado? Amazon ou a Livraria Cultura simplesmente vendem o eBook de uma editora dos EUA, tiram seu lucro, pagam os impostos de IOF, por exemplo, repassam o lucro da editora, e tudo isso com um valor igual ou menor do que o eBook nacional. De fato, isso é algo para o que eu gostaria de ouvir uma explicação.
  • eBook tem que ser de graça. Livro físico a R$ 25,00 e eBook a R$ 1,99 não dá. Brasileiro acha que conteúdo cultural tem que ser de graça
    • Eu discordo que as pessoas pensem que eBook tem que ser de graça, que conteúdo cultural tem que se de graça, que o pessoal espera eBook a 1,99 para livro físico de R$ 25,oo. Fiquei com a incômoda sensação que os entrevistados tiveram péssimas experiências com muita gente que não é leitor de verdade, porque leitor sabe o valor do livro, do trabalho do autor, de toda cadeia produtiva, e não espera receber de graça, tão pouco pagar valores ridiculamente pequenos. O grande lance é pagar um preço adequado, tendo em visto todo custo material e de logística que são inexistentes. Mais sobre isso abaixo.
    • Percepção de valor é importante sim. E claro, mesmo que fosse possível, e eu não acredito que seja, colocar um livro a R$ 1,99 é com certeza um erro. É preciso ter um valor que passe a sensação de dinheiro bem gasto, mas que também não deixe aquele amargor na boca de que foi mais do que deveria ter sido.
  • Não pode ficar fazendo auditoria no custo de produção
    • Pode sim. E deve. Que tipo de consumidor não avalia o produto que está comprando, não avalia o custo x benefício, não pensa se não está pagando demais por algo que não deveria custar tanto? Com certeza, não é um comprador muito bom. Me incomoda essa postura onde se diz que eu não posso pensar sobre o que compõe o custo de um produto, que eu tenho que aceitar um valor que eu não entendo e que não é explicado com clareza. O dia em que algum editor falar diretamente sobre a diferença de valores de livro físico e eBook em relação a material, impressão, logística, armazenamento e tudo mais, ai sim talvez eu pare de auditar custos. Até lá, dou valor ao meu dinheiro.
    • No mesmo ponto, foi dito que o livro é um produto nobre, magnânimo, a que deve ser dado o devido valor. Essa frase me soou um tanto arrogante, como se o livro fosse algo inalcançável e que deveríamos pagar o preço que for pelos eBooks, sem questionar, para receber essa dádiva. Além do mais, não sei se percebem que esse endeusamento dos livros não ajuda na expansão do mercado. Algo tão incrível não pode ser popular, e então o mercado não cresce. Voltamos ao ciclo vicioso. Talvez o mercado devesse pensar mais nisso antes do editor pular do topo da pilha de encalhados.
  • Distribuição do Livro Digital
    • Não conheço como funciona a distribuição dos livros digitais, mas vou falar sobre o que não me ficou claro. A distribuição em si é feita pelas lojas, pela Cultura, pela Amazon, etc. Todo suporte com problemas de venda ou nos aparelhos de leitura é coberto pelas lojas e pela assistência dos eReaders e demais dispositivos. Qual tipo de problema que pode chegar até a Editora? Pelo que entendi, problemas no eBooks em si, na formatação e criação do arquivo do livro. Convenhamos, quanto impacto isso pode ter? Se um eBook sair errado, basta arrumar e disponibilizar o novo que estaria tudo OK.
    • Isso especialmente fazendo uso da distribuidora citada, que minimiza esses problemas. Logo, falho em ver com o custo da distribuição digital pode sequer chegar perto da distribuição dos livros físicos em termos de custos.
  • Escritores iniciantes deveriam disponibilizar seus eBooks de graça até serem notados por alguma editora
    • Esse discurso me incomodou muito. Então eu devo escrever, colocar na internet de graça e esperar alguém me notar? É uma estratégia válida? Não deixa de ser, mas não é a única. Muita gente se dá bem com auto-publicação, inclusive investindo com revisor e leitura crítica antes para colocar no mundo um material de qualidade. Vide Hugh Howey, que estourou nos Estados Unidos via auto-publicação, sem respaldo de nenhuma Editora.
  • Pirataria
    • Só tenho uma coisa a dizer sobre esse tema: como esperam que as pessoas comprem livros digitais a preços tão altos e ainda ficam bravos com pirataria? Seguinte, quem não tem dinheiro para comprar o eBook com 20%, 30% de diferença do valor de um livro físico, que já tem um preço alto, também não vai comprar o físico. Não vai comprar nada. Não vai consumir seu produto, logo, não te dá prejuízo, apenas deixa de te dar lucro. Partindo dessa premissa, que em geral é verdadeira, se a pessoa pirateia ou não é indiferente.
    • Quer combater a pirataria? Acho justíssimo. Venda a preço justo. Precifique o produto tendo em mente a percepção de valor e a expansão de mercado, mas também sabendo que o fato de ser um produto digital faz que com todo mundo saiba que um grande custo material e logístico não existe. Coloque um preço de capa que faça com que o consumidor não se sinta lesado, não se sinta como se estivesse custeando riscos da publicação de livros físicos com sua compra de eBook. Os tempos mudaram. Quem não mudar, eventualmente, vai ficar para trás.

E é isso. Como eu disse, estou a milhares de quilômetros de distância de ser alguém que possa falar disso com autoridade. Sou um mero leitor que gosta de eBooks, sente que paga caro demais por eles e que nunca teve uma explicação de verdade para isso, e que gostaria de obter mais respostas. Vamos ver se a parte dois do podcast traz alguma nova informação.

Por favor, comentem, deixem suas impressões. Acredito que o importante seja discutir e aumentar o entendimento desse assunto. Algumas coisas que escrevi acima aprendi em muitas discussões com amigos na internet, e é minha visão atual do mercado de eBooks no Brasil, mas visões existem para serem mudadas, não é?

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Abraços!

 

#Edit 1 (01/07/2015) 

Curioso com a questão dos deficientes visuais e apesar de já ter recebido um comentário esclarecedor do Sidney Andrade, perguntei pelo Twitter a um cara que sigo há um tempo e que tem opiniões muito bem estruturadas a esse respeito o que ele achava do assunto, trata-se do Victor Caparica, do Cego em Tiroteio.

O que o Victor me disse é que gasta em média R$ 200,00 em livros físicos e R$ 100,00 em eBooks todos mês, acredito que parte devido a suas atividades de pesquisa. Enfim, não só o preço do eBook, mas também do livro físico, são de muito interesse para ele. Os físicos, no caso, ele digitaliza para usar, pois esses títulos não existem em eBooks. Audio Books ele nunca comprou nenhum, pois eBooks fazem coisas essenciais que Audio Books não fazem, como procurar trechos, copiar trechos para citações, fazer anotações, marcar páginas, etc.  Audio Book, segundo ele, é bom pra quem enxerga e quer ouvir no trânsito, ou enquanto faz outra atividade que requeira a visão. Para um cego, é muito pouco prático.

#Edit 2 (01/07/2015)

Resolvi pesquisar um eBook da Record na Cultura. Peguei o 1356 de Bernard Cornwell, cuja edição física custa R$ 50,00. Sem entrar nos méritos do preço do livro físico, o eBook tem preço de capa de R$ 35,00, 70% do valor do físico.

Pesquisei na Cultura e na Amazon. Na Cultura, nesse link, temos os itens na imagem abaixo. É possível comprar o eBook em inglês importado por quase o mesmo preço do nacional, e, se a segunda oferta estiver correta, dá para comprá-lo por MUITO menos:

cornwell record

Na Amazon, a situação não é diferente. eBook importado 16,7 % mais barato. Confira nesse link. Isso porque o eBook, ao que tudo indica, foi lançado em 2013, de um autor Best-Seller. Eu gostaria muito de entender porque isso ocorre.

1356amazon

 

#Edit 3 (06/07/2015)

Saiu hoje a parte dois do episódio de eBooks do Ghost Writer, de número #56, que pode ser baixado aqui. O episódio não adiciona nada ao assunto de precificação de eBooks, e fica mais na troca de experiências e opiniões dos participantes quanto à leitura de eBooks e livros físicos, portanto não levantei nada novo para adicionar ao texto ou mesmo para escrever algo novo com base nele.

Published inOpiniãoPodcasts
  • Sidney Andrade

    Lucas, fiquei com um gosto amargo também depois de ter escutado o episódio. Teu texto acabou aliviando um pouco esse meu engasgo também. A impressão que me passou, por parte dos envolvidos no mercado, foi de uma miopia extrema. Reparem, por exemplo, foi dito, quanto à questão da conveniência do livro digital para pessoas cegas, que quem precisa desse tipo de acessibilidade não precisa se preocupar em comprar livro digital, é só ir lá pedir pra Fundação assistencialista converter pra mim ou, pior ainda, apenas ler o que ela já adaptou. Bem, sou cego, faço uso do livro digital como única maneira de acesso aos livros de grande circulação, uma vez que: 1. Não me adaptei bem à leitura tátil do Braille e 2. Livros em braile são praticamente relíquias raríssimas que não se encontram à venda, mas nas bibliotecas das Organizações e Institutos de cegos. Ou seja, quando tenho a possibilidade de dispor do arquivo digital já na loja virtual, maravilha. Quando não, compro o livro impresso e preciso digitalizar, para converter em arquivo de texto, de modo que eu possa lê-lo nos meus dispositivos. Sequer atentar para este fato simples: se eles já me disponibilizam o livro digital, eu vou lá e compro, não preciso pedir de graça pra organização assistencialista. Ganharia eu, ganhariam eles. Com trocadilho e tudo, falta visão de mercado. Não só nesse aspecto, mas em todos os citados por eles para desfavorecer o livro digital. Acho que enquanto as próprias editoras continuarem com essa perspectiva contraditória do livro como relíquia, como arauto da boa e elevada cultura brasileira (ao mesmo tempo em que rasgavam seda para o Spohr que, convenhamos, não escreve lá para estes poucos eruditos que eles conclamam), e não enquanto produto, realmente o livro não vai conseguir alcançar grandes públicos mesmo.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Sidney, obrigado pela resposta!
    É muito interessante ver a perspectiva de uma deficiente visual quanto a esse assunto, dá para entender melhor ainda esse ponto.

    Abraço!

  • Albarus Andreos

    Lucas, excelentes suas considerações. Só para tentar colaborar um pouco, se você quiser publicar um livro pagando a edição, como a Giz Editorial faz, ou a Novo Século, só para ficar em duas das mais conhecidas e conceituadas, todo o preço de revisão e editoração fica com apenas 15% a 20% do valor da obra, por aí: veja abaixo partes da proposta de publicação de um livro que pretendia publicar por uma delas, para você ter uma ideia. Não imagino que um edição nos moldes tradicionais se diferencie muito de uma “edição de autor”:

    I. SOBRE A REVISÃO.
    Este processo de REVISÃO incluirá os seguintes itens:
    • Preparação do texto original.
    • Revisão ortográfica e gramatical no texto original.
    • Revisão tipográfica no texto original.
    • Emendas de pontuação e acentuação.
    O custo para processo de revisão está baseado no preço por lauda que é de R$ 5,00 por
    cada lauda. Cada lauda tem 1.400 toques/caracteres com espaços. O texto original da
    obra “Livro da Escuridão” tem atualmente 492.988 mil caracteres com os espaços,
    somando exatamente 352 laudas. O custo do processo então é de R$ 1.760,00.

    II. SOBRE O PROCESSO EDITORIAL.
    Este processo incluirá os seguintes itens:
    CAPA
    • Composição e fechamento do arquivo da capa.
    • Inserção de texto de marketing sobre o livro e/ou texto sobre o autor na
    contracapa e nas duas orelhas*
    • Inserção de código de barras na contracapa.
    • Inserção da foto do autor na contracapa ou orelhas*
    • Inserção do logotipo do selo editorial (Nome da Editora).
    • Inserção do logotipo de um patrocinador ou parceiro [quando houver]*
    • Adequação do tamanho [largura, altura, espessura].
    • Provas digitais [PDF] da pré-impressão durante todo o processo.
    • Arquivo fechado em formato PDF [resolução 300 DPI´s].
    MIOLO
    • Diagramação do miolo do livro [parte interna].
    • Emissão de ISBN junto à Fundação Biblioteca Nacional [FBN].
    • Emissão da Ficha de Catalogação junto à Câmara Brasileira do Livro [CBL].
    • Inserção do logotipo do selo editorial (Nome da Editora).
    • Inserção do logotipo de um patrocinador ou parceiro [quando houver]*
    • Provas digitais [PDF] da pré-impressão durante todo o processo.
    • Arquivo fechado em formato PDF [resolução 300 DPI´s].
    • Depósito Legal [um exemplar obrigatório será enviado à FBN].
    * Que deve ser enviado pelo próprio autor.
    O custo do processo editorial para um livro de 356 páginas [que é a média de páginas
    que calculamos que poderia dar], no formato 16 x 23, é de R$ 1.350,00.

    IV. SOBRE A IMPRESSÃO DO LIVRO.
    Este pacote de IMPRESSÃO incluirá os seguintes itens:
    • Obra: Livro da Escuridão.
    • Autor: Albarus Andreos.
    • Número de páginas: 356 pgs.
    • Formato fechado: 16 x 23 cm.
    • Impressão: Off-set.
    • Lombada: 17 mm.
    • Miolo: Papel Pólen Soft Natural 80 G/M², Cor P&B 1×1.
    • Capa: Papel Cartão Supremo 250 G/M², com orelha 80 mm,
    Colorida 4×0 [quadricromia], laminação brilho.
    • Acabamento: Dobrado, refilado, alceado, colado e grampeado.
    • Comercialização: Venda direta, em território nacional, para leitores,
    com prestação de contas semestral de copyright.
    • 1.000 exemplares = R$ 14.400,00.

    Outros dados da proposta são irrelevantes para os fins dessa nossa discussão, mas foque nos valores totais de R$17.510,00 para mil livros de 352 páginas, sendo que os valores de editoração, revisão etc. ficam com apenas R$3.110,00 e nem seriam os mesmos, caso fosse se tratar apenas de um e-book. Essa é uma proposta de 2010. Os valores atualizados seriam um pouco maiores agora. Distribuição não incluída, nem marketing, nem pagamento de jabá para ficar em boas prateleiras nas livrarias.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Albarus,

    Agradeço muito esses dados!
    É bem interessante saber disso. A impressão fica com mais de 80% do valor então nesse caso, levando em conta que não temos distribuição e os demais custos como você mencionou.
    Apesar de não ser possível tirar nenhuma análise concreta, dá pra ter uma BOA noção de quanto do valor do livro vai com impressão, e como os demais serviços não afetam tanto assim.

    Gostaria que um dia, um editor que for usar isso como argumento, apresentasse algum tipo de dado para dizer o quanto esses serviços afetam custo, e não fugisse completamente do ponto de impressão/logística, como aconteceu dessa vez.

    Abraços!

  • Igor Rodrigues

    Vou ajudar: uma tradução inglês-português para editora de grande porte custa em média R$25/lauda (aqui a lauda é de 2100 caracteres c/ espaço). Não posso citar a fonte aqui por razões de ética profissional.

    O livro acima usado como exemplo custaria R$ 5.868,90 para ser traduzido.

    Aliás, a prática de tradução globalmente é cobrada por palavra. Se tem outro país com essa maluquice de lauda (que não faz sentido para a tradução) gostaria de saber.

  • Igor Rodrigues

    Bom post. Já discutimos muito sobre o assunto, mas acho que a melhor coisa que você fez foi levantar dúvidas que podem ser respondidas se os responsáveis resolvessem abrir o jogo. Não adianta usar essa ideia de “não podemos considerar o custo de fabricação para precificar o produto”. Podemos sim, isso é desenvolvimento de produto/marketing básico. Se não precisasse o iPhone citado não seria feito na China para reduzir custos.

    E já que gostam de falar sobre “valor intangível”, devem perceber que aqui o livro tem um valor percebido baixo. É triste, mas é a verdade. O departamento de marketing que quiser fzer o livro massificar a preços altos tá com um pepino na mão.

    Enquanto essa discusão não termina o povo ta aí, procurando suas formas de entretenimento. E não são livros.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Valeu pelo dado Igor!
    Dá pra dimensionar algumas coisas com isso.

    Cara, isso de lauda sempre me intrigou. Porque não me parece totalmente justo nem com um lado nem com o outro. Por exemplo, imagina um livro praticamente sem diálogos, só texto corrido mesmo, e poucas divisões de capítulos. Imagino que esse livro tenha muito mais palavra do que um livro com muito capítulos e com grande quantidade de diálogos.
    Se ambos os livros fictícios acima tiverem o mesmo número de laudas, ainda assim terão um número bem diferente de palavras.

    Faz sentido o que disse?

  • Lucas Rafael Ferraz

    Cara, eu realmente queria que alguém respondesse e o fizesse de forma clara e direta, sem rodeios e desconversas, mas infelizmente acho difícil, apesar de não ser impossível que o Herdy repasse isso aos entrevistados.

    Quanto ao valor percebido baixo, eu acho que tem muito daquela questão de formato que estávamos falando. Lá fora, pessoal pode esperar um ano do lançamento e comprar um mass market paperback baratinho, que, aliás, chega no Brasil importado nas livrarias de grandes redes a preços mais baratos que edições nacionais.
    O problema é que aqui só tem capa mole, e com material de muito melhor qualidade que lá fora. Se alguém se arriscasse a quebrar esse paradigma e lançar formatos de consumo em massa, baratos e de material mais simples, eu realmente acho que poderia pegar. Nem todos querem ter na estante um livro bonito, muito gente só quer ler e adoraria ter opções mais baratas.

    Talvez isso ajudasse a questão de percepção de valor do livro. Edições mais baratas e mais caras, para todos os bolsos. E eBooks legais a preços bacanas também.

    Enfim, vamos torcer pra que isso mude!

    Valeu pelo comentário!

  • Lucas Rafael Ferraz

    Pergunta, qual sua opinião sobre os preços de eBook nacional X gringo?
    A diferença de preço é grande, e isso é um mistério para mim. Especialmente no exemplo que coloquei no post, de um livro de 2013 de autor best seller.
    Algo justifica ou é só o padrão mesmo de colocar eBook com 70% de preço de capa do físico e não baixar isso nunca?

  • Igor Rodrigues

    Os ebooks caem muito de preço após os lançamentos nos EUA (6 meses em média). Acho sim, um absurdo o preço praticado aqui. Creio que o ebook deveria ser precificado e trabalhado à parte do físico, como produto independente, observadno claro a expectativa de vendas para fazer a divisão de custos fixos.

    Demora muito para os preços caírem e mesmo assim o preço de lançamento é muito alto para os custos do produto. Precisamos de uma pesquisa mais longa, com grandes amostragens pra termos uma ideia melhor.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Sim, concordo que demora demais pro preço cair. Isso, é quando cai. Esse exemplo que usei está há 2 anos com o mesmo preço, e a sensação é que não há planos para baratear. E sim, uma pesquisa dessas seria muito esclarecedora.

    Valeu!

  • Igor Rodrigues

    é que funciona assim: traduzir “anticonstitucionalíssimamente” e “média” dá mais ou menos o mesmo trabalho (antes que alguém pergunte faço trabalhos de tradução). O trabalho não é medida pelo quão longo é o texto em caracteres, que é o que a lauda faz. Aliás, nem pra revisão isso faz sentido.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Sim, claro! É o que imaginei mesmo.

  • Renato Dantas

    Não ouvi o tal episódio e depois de ler seu texto, acho que não vou ouvir para não ter raiva.

    Acho que a questão é bem simples, as editoras não querem que o ebook se popularize e qualquer funcionário que fale abertamente e diretamente sobre a questão, seja em podcast ou post de rede social, não vai continuar sendo funcionário por muito tempo.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Olá Renato!

    Pois é cara, acabamos pensando em várias teorias e motivos para falarem tão pouco e não ser claro, sabe. Eu preferiria uma posição que me desagradasse mas fosse dada de modo claro e definitivo.

    Abraços e obrigado por comentar!