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Sobre Preconceito Literário e Cidades de Papel

Você já olhou para alguém lendo John Green na rua e pensou: “Nossa, que merda.” Admita. Ou então, se você lê esse tipo de literatura, você já viu alguém lendo Tolstói e pensou: “Afe, que esnobe.” Vamos lá, não minta que é feio. Mas, caso você não tenha preconceito com nenhum tipo de livro, parabéns, nasceste uma pessoa evoluída. Eu não tive tanta sorte. O que é meio irônico se formos considerar que cresci lendo fantasia, leitura considerada por muitos como escapista e infantil.

Enfim, apenas recentemente, após começar a gravar o Cabuloso Cast e conhecer pessoas fenomenais que falam de literatura pela internet que tenho me tornado alguém mais aberto à novas experiências e que tenta enxergar o valor que cada tipo de obra possuí. E, eventualmente, até a ler algo que normalmente não leria. É aí chegamos em John Green e suas Cidades de Papel.

Hoje de manhã baixei esse eBook no Kobo (pagando MUITO mais caro do que deveria) bem rapidamente, pois estávamos de saída para o interior. O que eu esperava? Eu esperava um romance que tentasse ser moderninho mas acabasse meloso e com final feliz clichê. Pois é. Quebrei essa minha cara gorda. E quebrei bonito. A leitura rendeu muito mais do que imaginei. Nos dois ônibus e quase duas horas até a casa do meus pais, li metade do livro enquanto minha esposa dormia.

Eu não conseguia tirar os olhos da página. O texto é leve, o ritmo é bem rápido, e é uma história que te leva a querer saber mais. A primeira parte é frenética, e a segunda te segura pelo mistério, pela investigação e pelas relações dos personagens. Na casa dos meus pais, ainda li um pouco mais, e, na volta para SP, finalizei o livro. Um dia. Não consigo me recordar do último livro que li em um dia. E o final não foi nada como eu achei que seria.

O grande lance do livro é que ele não fala de amor. Não fala de um romance impossível que se concretiza no final de modo piegas. Ele fala de gente, de como idealizamos pessoas, e de como um sentimento pode não se concretizar, por mais que de fato exista, porque os envolvidos não são quem achavam que fossem. Tirei mais desse livro do que jamais poderia imaginar. Os personagens são bem desenvolvidos e consegui me importar com eles de verdade, e no final fiquei feliz pelo crescimento que tiveram. E agora preciso ler Walt Whitman, de quem o velho Alvarenga, meu professor de português do ensino médio, tanto falava.

O livro tem suas falhas? Sim, tem alguns pontos  que não me agradaram tanto, mas nada grave e eu me diverti pra caramba. Acho que esse é o ponto principal, eu abri um livro que não é meu estilo, li em um dia por simples incapacidade de parar e me diverti demais. O cara escreve bem, cria bem seus personagens e conduz bem sua história. Não resta dúvidas de porque vende tanto.

E isso me leva a pensar, o que tanto perdi até hoje por não sair da minha zona de conforto, seja por pura preguiça de pegar um clássico como O Conde de Monte Cristo ou por puro preconceito com “livro da moda” como os do sr. João Verde? Isso, claro, não quer dizer que eu vá ler um YA por mês, mas quem sabe em algum outro fim de semana, alguma outra viagem para o interior, e mais uma leitura descompromissada?

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Published inOpiniãoResenha
  • http://oblogdorahmati.blogspot.com.br Rodrigo Rahmati

    Digo a mesmíssima coisa sobre o “A hospedeira” que li. Tem suas falhas, mas quebrou minha cara frente ao meu preconceito bobo. 😉

  • Lucas Rafael Ferraz

    Esse ainda não deu coragem, mas quem sabe um dia!

    Valeu!!

  • Simone

    Sério que vc achou bom? Eu até acho que tenho poucos preconceitos literários, mas tô com um imenso preconceito com o John Green após ter lido TFIOS. Achei que ele escreve muito mal e imagino que virou modinha por outros motivos rsrs. Diz-se que a versão em português deu uma melhorada, mas nem quero confirmar. Achei que o filme melhorou a história criando uma beleza nela que ele não conseguiu fazer com as palavras… :-/

  • Lucas Rafael Ferraz

    Oi Simone!

    Então, o livro me surpreendeu, não era nada do que eu esperava.
    Claro, eu não tenho nenhum ponto de referência por nunca ter consumido nada do estilo, então o que li nesse livro me pareceu bastante aceitável em termos de história, andamento e escrita. Nenhuma obra prima, mas um livro leve e envolvente, e que não tem tanto clichê como achei que teria (na minha concepção de clichê de não consumidor do estilo).
    Ah, eu li em português.

    Obrigado pelo comentário!