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The Goblin Emperor

Ler os clássicos, seja da ficção científica, da fantasia, etc, é sempre bom. Mas não dá pra ficar só neles. Percebi que eu sei pouco, para não dizer quase nada, do que é produzido atualmente, especialmente lá fora. Procuro acompanhar a cena nacional, apesar de não ter lido muita coisa. Com isso em mente, começarei a ler mais do que tá rolando por aí e comentar por aqui. A grande  maioria será em inglês, e gradualmente quero pegar coisas em espanhol para desenferrujar. Em português, quero dar atenção aos independentes, autores que se publicam pela Amazon e tudo mais.

goblin emperorPara começar, escolhi um livro de fantasia que está fazendo bastante barulho, e se chama The Goblin Emperor (O Imperador Goblin). Que livro, amigos! E aqui preciso admitir uma coisa: tenho um grande preconceito com livros de fantasia. Especialmente se vierem em trilogias. Como todo preconceito é burro, estou tentando superá-lo. Fato é que só peguei  The Goblin Emperor para ler porque tudo que li e ouvi a respeito me dizia que era um livro de fantasia muito diferente do convencional. E de fato o é.

The Goblin Emperor é, essencialmente, um livro de personagens. E ai reside a diferença essencial de muita coisa mais recente que li em fantasia e que não é do meu gosto: livro que desenvolvem personagens não mais que o necessário para a trama funcionar, sendo esta sempre a espinha dorsal do livro. Nesse caso, a trama, apesar de ser capaz de te surpreender um pouco no final, é simples. O que faz dele um grande livro é o desenvolvimento profundo de personagens, e sem ser chato ou pedante por um minuto sequer.

Lá pelos 30% da leitura, o mundo que Katherine Adisson (pseudônimo de Sarah Monette) criou ainda está assentando na cabeça, e a história pode parecer um pouco lenta, mas ela cresce rapidamente e se torna irresistível, conforme nosso entendimento do mundo e do governo vai aumenta junto com o de Maia, o Goblin que se torna imperador devido a um acidente e à política de sucessão do reino. Essa história poderia muito bem se passar no nosso mundo, talvez como um livro de história alternativa ou algo do gênero, mas a autora não quis fazer isso por duas razões: preguiça de pesquisar uma época e povo apropriados para a história e o amor que tem por criar mundos.

E que mundo interessante. Com influências claras das cultura japonesa e até russa, uma língua de sonoridade forte e uma pegada steampunk sútil, mas sempre presente, com zeppelins, pontes e outros equipamentos movidos a vapor. A cultura dos elfos é machista e oprime as mulheres, e a defesa dos direitos delas é uma das coisas que a autora faz muito bem, sem ser panfletária. Diversas outras questões sociais e comportamentais são discutidas na obra. Em resumo, um livro de fantasia com elfos e goblins em que não temos o herói indo numa aventura cheia de perigos para salvar o mundo, mas sim assumindo um governo que não conhece e lutando suas batalhas com muito jogo de cintura na corte, não sem momentos de ação e muita tensão. Uma abordagem revigorante a um gênero assolado por clichês.

As chances de essa obra um dia ser visto no Brasil? Difícil. É uma aposta ousada, com tantos outros livros com temática e abordagem mais comercialmente apelativas. Seria necessário um editora corajosa para arriscar em algo assim. Talvez a obra se torne mais atrativa se ganhar algum prêmio, pois foi indicada ao Nebula, ao Locus e ao Hugo.

Me interessei por esse livro através do podcast (em inglês) Sword and Laser, mas especificamente no episódio 209, onde eles entrevistam a autora e ela revela muita coisa legal sobre sua carreira e sobre o livro.

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